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Kiska, a baleia mais solitária do mundo, vive sozinha em um tanque há 10 anos

Vitor Paiva - 15/10/2021

A história de Kiska, uma baleia orca que vive em tanque de concreto no Canadá, oferece a medida da crueldade dos parques marinhos bem como dos zoológicos, que capturam os animais para se tornarem tristes atrações: aprisionada desde 1979 quando era ainda um filhote, a orca encontra-se há 10 anos sozinha no aquário do Marineland Marine Park, um parque na cidade de Ontário. Sem companhia nem mesmo grandes estímulos, não é por acaso que Kiska ganhou o mais triste e terrível apelido: a baleia mais solitária do mundo.

a baleia orca Kiska

Kiska foi capturada há 42 anos, em 1979, quando tinha somente 2 anos de idade © Change.org

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Além da desumanidade análoga à tortura em si, o efeito do isolamento e do tratamento inóspito oferecido a Kiska já provocam sintomas extremos no animal: a orca é constantemente vista boiando imóvel, feito estivesse resignada ou mesmo morta, e frequentemente passa a bater com a cabeça e o corpo contra as paredes de concreto ou as proteções de vidro no tanque. Vivendo há 42 anos em cativeiro desde que foi capturada em águas da Islândia, ela tinha somente 2 anos quando foi vendida para a indústria do entretenimento, de onde jamais sairia.

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No passado ela já não foi a única baleia no parque, mas com o passar dos anos os animais foram morrendo, e desde 2011 ela se tornou a última baleia no local. “Ela é provavelmente a orca mais solitária do mundo, e isso é muito triste”, comentou Camile Labchuk, diretora executiva da organização de advocacia Animal Justice, que trabalha nacionalmente pelos direitos animais, em matéria do site Oddity Central. Trata-se de uma das muitas organizações atuando pelo futuro de Kiska, para que ao menos suas condições possam melhorar em diversas frentes.

a baleia orca Kiska

Kiska frequentemente se coloca completamente imóvel, como efeito da solidão e do isolamento © Getty Images

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“É difícil não sentir pelo que ela está passando. É muito importante que agências especializadas levem a questão a sério, e é necessário e apropriado fazer o que for possível para ajudar Kiska”, afirmou Labchuk. Imagens mostram que a situação da orca é crítica, e que medidas relativamente simples poderiam melhorar consideravelmente a vida do animal: ser transferida para locais com outras orcas ou cetáceos semelhantes ao menos, por exemplo, é medida mínima e urgente, para tirá-la do parque aquático de Marineland, que é conhecido entre ativistas como “um dos piores lugares para animais marinhos no mundo”. Uma petição pede pela libertação de Kiska, com mais de 338 mil assinaturas, e pode ser acessada – e assinada – aqui.

a baleia orca Kiska

Diversas organizações internacionais lutam no momento para melhorar as condições do animal © Marineland/reprodução

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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