Ciência

La Niña está de volta: saiba como isso pode impactar o clima do Brasil

Vitor Paiva - 27/10/2021

Como ocorreu no ano passado, o fenômeno climático La Niña teve início em 2021, e deverá se impor em todo o mundo até o primeiro trimestre de 2022. Responsável por invernos mais rigorosos, longos períodos de seca em algumas regiões do planeta e chuvas intensas em outras, o padrão meteorológico tem 87% de probabilidade de seguir entre os meses de dezembro e fevereiro do ano que vem, segundo dados do órgão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), órgão do governo estadunidense. Segundo a agência, após um período de relativa estabilidade atmosférica desde o início do ano, o La Niña deverá se intensificar nas próximas semanas, em fenômeno que teve início no mês passado.

Alterações na temperatura da superfície oceânica registradas em setembro

Alterações na temperatura da superfície oceânica registradas em setembro © NOAA

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A detecção de temperaturas abaixo da média na superfície do mar do Pacífico equatorial, de anomalias térmicas em regiões do Pacífico central e oriental, bem como diferenças no comportamento dos ventos do leste e oeste nos níveis superiores da atmosfera foram os indícios notados pelo NOAA. “Nossos cientistas estão acompanhando o desenvolvimento potencial de La Niña desde este verão, e foi um fator na previsão para a temporada de furacões acima do normal que vimos se desenrolar”, afirmou Mike Halpert, vice-diretor do Centro de Previsão do Clima da Administração.

La Niña

O fenômeno é caracterizado principalmente pela queda na temperatura das águas na altura do Equador © NOAA

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Enquanto o El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície das águas do Pacífico nas zonas equatoriais, o La Niña é fenômeno oposto, quando as mesmas águas se resfriam. Apesar de não ser possível antecipar precisamente os efeitos do fenômeno, comumente ele provoca, no Brasil, o aumento das chuvas na Amazônia e na região nordeste, temperaturas elevadas e mesmo seca na região sul, com comportamento imprevisível para a região sudeste – em alguns casos, porém, o fenômeno trouxe frentes frias para o sudeste brasileiro, e o quadro geral de ambos os fenômenos é agravado pelos efeitos da crise climática.

enchente no Maranhão

O La Niña pode causar seca em algumas regiões, e enchentes intensas em outras © Wikimedia Commons

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No resto do mundo, no entanto, os efeitos variam radicalmente: no restante do continente, o La Niña pode provocar seca em países como Peru, Bolívia, Argentina e Chile, chuvas intensas com eventuais enchentes na Colômbia e Equador, frio e chuvas no Caribe e América central, aumento do frio na costa oeste dos EUA, e mais. Durante o período, é comum ocorrer o aumento de chuvas no leste da Ásia, do frio no Japão, bem como temperaturas elevadas na região leste da Austrália. Um dos efeitos posteriores do fenômeno é o atraso da estação chuvosa no cone sul para o ano que vem, podendo tornar 2022 em um ano de secas ainda mais intensas.

La Niña em 2007

Índices do mesmo fenômeno em 2007 © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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