Ciência

Medicamentos estendem a vida de pacientes com câncer e podem fazer a doença desaparecer

Vitor Paiva - 21/10/2021

A luta pela cura do câncer e pela melhoria da vida dos pacientes ganhou fôlego animador a partir de um ensaio científico em fase 3 realizado recentemente no Reino Unido, combinando dois medicamentos imunoterapêuticos. Com resultados positivos alcançados sem a necessidade de submeter os pacientes ao processo extremos de uma quimioterapia, os efeitos do experimento foram apresentados como capazes de estender a vida dos pacientes com câncer em metástase ou reincidente ou mesmo de “erradicar completamente” a doença. Intitulado CheckMate 651, o ensaio foi realizado por pesquisadores do The Institute of Cancer Research, de Londres, junto a cientistas do The Royal Marsden NHS Foundation Trust e pesquisadores gregos e estadunidenses.

Os dois medicamentos utilizados no ensaio científico

Os dois medicamentos utilizados no ensaio científico © CheckMate 651/reprodução

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O experimento foi realizado contra o câncer de cabeça e pescoço, grupo de cânceres com origem na boca, nariz, laringe, faringe, seios nasais e glândulas salivares, e combinou os medicamentos Nivolumab e Ipilimumab, capazes de incentivar o sistema imunológico a agir contra a doença, e alcançou, segundo comunicado, o “maior índice de sobrevivência (…) já registrado em um ensaio terapêutico de primeira linha em casos de câncer de cabeça e pescoço”. O resultado ainda carece de estatísticas maiores e novos e mais amplos ensaios do tipo para comprovar seu resultado, mas alcançou os excelentes resultados trazendo efeitos colaterais muito menores se comparados aos de uma quimioterapia.

Sede do instituto do câncer em Londres

Sede do instituto de pesquisas do câncer em Londres © ICR/divulgação

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Imunoterapias são tramentos mais gentis e inteligentes, capazes de trazer benefícios significativos aos pacientes com câncer de cabeça e pescoço em estado avançado – por exemplo, ao poupá-los dos difíceis efeitos colaterais da quimioterapia”, afirmou o professor Kristian Helin, diretor executivo do The Institute of Cancer Research, instituto de pesquisa do câncer, de Londres. “Os resultados são promissores e demonstram como podemos selecionar melhor quais pacientes podem se beneficiar de tratamentos imunoterapêuticos”. O estudo alcançou um período médio de sobrevivência de 17 meses, o mais longo já alcançado com pacientes nos estágios avançados da doença, e foi patrocinado pela empresa farmacêutica Bristol Myers Squibb, e foi realizado pela fundação Royal Marsden NHS.

The Royal Marsden NHS

O hospital britânico onde o experimento foi realizado © The Royal Marsden NHS/divulgação

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Apesar de ainda carecer de maiores estatísticas e novos estudos para conclusão incontestável, o experimento realizado apresentou, de acordo com comunicado, ao menos um resultado de regressão total: Barry Ambrose havia sido diagnosticado com câncer na garganta em 2017, que também se espalhou para os pulmões. Inicialmente lhe foi informado que os tratamentos em seu caso eram paliativos e que ele teria seis meses de vida mas, após participar do experimento, o câncer desapareceu completamente em poucos meses. O estudo envolveu 947 pacientes, e foi apresentado no Congresso Virtual da Sociedade Europeia pela Medicina Oncológica no mês passado.

Barry Ambrose recebendo o tratamento recente

Barry Ambrose recebendo o tratamento recente © Arquivo pessoal

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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