Sustentabilidade

Os carros elétricos são o futuro, mas essa história começou há quase 200 anos

Vitor Paiva - 01/10/2021 | Atualizada em - 04/10/2021

Apesar dos veículos elétricos ainda serem apresentados hoje como o futuro dos carros e do transporte, bem como alternativa ecologicamente correta ao uso poluente dos combustíveis fósseis, a história de tais veículos é tão antiga quanto a própria invenção dos carros – e remonta ao final do século XIX e aos primeiros anos do século XX. Segundo consta, as pesquisas pelo desenvolvimento de veículos movidos a energia elétrica já aconteciam na Europa por volta dos anos de 1830, mas o primeiro carro elétrico apresentado com sucesso nos EUA surgiu em 1890: em 1900 a novidade era tão popular que existiam frotas de táxis inteiramente elétricas em Nova York, com a estimativa de que, à época, um terço de todos os carros rodando no país eram elétricos.

Um dos primeiros modelos elétricos criados por Oliver P. Fritchle

Um dos primeiros modelos elétricos criados por Oliver P. Fritchle em 1906 © Curbed/reprodução

-Holanda se prepara para vender apenas carros elétricos em 10 anos

Nos primeiros anos da década de 1910, o químico e engenheiro elétrico Oliver P. Fritchle vendia cerca de 200 unidades por ano de seu “100-MIle-Fritchle”, um carro elétrico que, como o nome sugere, tinha autonomia para rodar, com um só carregamento de suas baterias, até 100 milhas ou aproximadamente 160 km. O lançamento do Modelo T, criado por Henry Ford e lançado massivamente pela Ford em 1908 como um carro consideravelmente mais barato e com maior autonomia – movido a gasolina – foi o que começou, porém, a derrocada dos veículos elétricos no país e no mundo: os carros elétricos eram então vendidos a cerca de 1.750 dólares, enquanto o inovador modelo da Ford custava somente 650 dólares.

Fritchle diante de outro de seus modelos elétricos

Fritchle diante de outro de seus modelos, à época de sucesso dos primeiros carros elétricos © Curbed/reprodução

A garagem de Fritchle nos anos 20, cheia de modelos para serem vendidos

A garagem de Fritchle nos anos 20, cheia de modelos para serem vendidos © Curbed/reprodução

-Japão tem mais pontos elétricos de recarga do que bombas de gasolina

A descoberta de novos poços de petróleo no país, bem como a popularização da exploração do combustível fóssil em todo o mundo, barateou ainda mais o preço da gasolina e, com o desenvolvimento de melhores estradas e o desejo popular por maior autonomia em suas viagens fez com que, em meados dos anos 1930, os carros elétricos tenham praticamente desaparecido. E assim permaneceriam as estradas por décadas: a tecnologia só voltaria a provocar o interesse da mídia e do público em meados dos anos 1970, após a crise global do petróleo à época.

Exemplo do primeiro modelo elétrico da Gurgel

Exemplo do Itaipu, primeiro modelo elétrico da Gurgel © Wikimedia Commons

-Para combater aquecimento global, Elon Musk libera todas patentes da Tesla

Em 1974, o engenheiro brasileiro João Conrado do Amaral Gurgel apresentou o modelo Gurgel Itaipu, um veículo pequeno e totalmente elétrico, com autonomia de 60 a 80 km – em 1981 o modelo seria reformado no modelo de um furgão E-400: os veículos elétricos brasileiros, porém, não alcançaram sucesso, e a Gurgel encerrou suas atividades em 1996. Atualmente, fabricantes como a Tesla, do empresário Elon Musk, já resolveram com sobra os maiores problemas que os veículos elétricos apresentavam, como pouca autonomia e potência: diante de uma crise ambiental sem precedentes e do apocalíptico impacto da produção e uso dos combustíveis fósseis em todo o mundo, é fundamental que o tal futuro apontado pelos veículos elétricos há quase dois séculos enfim chegue ao hoje.

O furgão elétrico E-400, lançado pela Gurgel nos anos 1980

O furgão elétrico E-400, lançado pela Gurgel nos anos 1980 © Gurgel 800

O modelo S da Tesla

O modelo S da Tesla © Shutterstock

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© fotos: Curbed/créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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