Ciência

Pessoas que experimentaram psicodélicos têm menor risco de doenças cardíacas e diabetes

Gabryella Garcia - 29/10/2021 | Atualizada em - 08/11/2021

Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Nature indicou que as taxas de doenças cardíacas e diabetes encontradas em usuários de substâncias psicodélicas clássicas, como psilocibina ou MDMA, são mais baixas em comparação com o público em geral.

O estudo contou com a participação de 375.000 pessoas e os resultados foram divididos por por idade, sexo, estado civil, faixa de renda, nível de educação, raça e uso de outros tipos de drogas. Chegou-se a conclusão de que os não usuários das drogas eram duas vezes mais propensos para desenvolver doenças cardíacas e diabetes.

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Embora a pesquisa não demonstre evidências de uma associação química para essa redução, já que a psilocibina ou outras substâncias psicodélicas não atuam em nossos sistemas metabólicos ou cardiovasculares, os resultados podem ser de natureza comportamental. Isso porque o uso dessas substâncias está tipicamente associado a grandes mudanças no estilo de vida, mesmo quando tomado apenas uma vez.

Metodologia

A Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde perguntava aos participantes se já haviam usado pelo menos uma vez as substâncias psicodélicas clássicas DMT, ayahuasca, LSD, MDMA, mescalina, peiote ou psilocibina, e  também se eles haviam sido diagnosticados com coração doença ou diabetes no último ano.

Uma possível explicação é que medicamentos como o DMT e a psilocibina ativam os receptores de serotonina, que podem atuar potencialmente como um inibidor do apetite , reduzindo os desejos. No entanto, deveria haver uso frequente suficiente desses compostos para causar um impacto duradouro no peso corporal, nos lipídios do sangue ou em outras medidas cardiometabólicas.

cogumelos psicodélicos

A psilocibina ativa receptores de serotonina, que podem atuar potencialmente como um inibidor do apetite , reduzindo os desejos

Os autores responsáveis pelo artigo ainda afirmaram que as novas descobertas se baseiam em descobertas anteriores sobre as associações entre o uso de psicodélicos clássicos ao longo da vida e vários marcadores de saúde física.

Otto Simonsson, um dos autores, afirmou ao portal Psypost que são necessários mais estudos para um resultado mais conclusivo. “Futuros ensaios clínicos duplo-cegos, randomizados e controlados por placebo são necessários para estabelecer se o uso psicodélico clássico pode reduzir o risco de doenças cardiometabólicas e, em caso afirmativo, por meio de quais mecanismos”.

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Imagens: Pixabay


Gabryella Garcia
Gabryella Garcia é paulista, mulher trans, transfeminista e jornalista pela Unesp. Começou a carreira escrevendo horóscopos para o João Bidu e agora foca em escrever sobre direitos humanos e recortes de gênero. Já passou por veículos de São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e também colaborou para veículos como Ponte Jornalismo, Congresso em Foco e Elle Brasil. Atualmente, além de produzir o podcast "Prosa", para o Hypeness, também colabora com o UOL. Além disso atua como voluntário no Projeto Transpor, um projeto que oferece consultoria profissional gratuita para pessoas transgêneros com montagem de um currículo assertivo, Linkedin e simulação de entrevistas de emprego.

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