Debate

Presidente da Coréia do Sul quer reconsiderar consumo de carne de cachorro no país

Vitor Paiva - 06/10/2021

A campanha para se combater o consumo de carne de cachorro na Coréia do Sul ganhou recentemente a adesão do seu mais importante aliado: o presidente Moon Jae-in, sugeriu na última segunda-feira que poderá enfim proibir a prática. O posicionamento surgiu como um questionamento, em conversa com Kim Boo-kyum, primeiro-ministro sul-coreano, durante reunião semanal entre as duas mais altas autoridades do país, quando debatiam um plano pela melhoria dos cuidados com animais de estimação abandonados.

O presidente Moon Jae-in com um de seus cães resgatados

O presidente Moon Jae-in com um de seus cães resgatados © Shutterstock

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“Não chegou a hora de considerar prudentemente proibir o consumo de carne de cachorro?”, teria perguntado o presidente Jae-in, confrontando diretamente o tema. O consumo de carne canina é visto como tradição na Coréia do Sul e, ainda que atualmente a prática venha sofrendo considerável queda, estima-se que cerca de 1 milhão de cães sejam consumidos por ano no país: as campanhas contra o consumo crescem, bem como as ações para o fechamento de fazendas de carne canina, e o hábito é cada vez mais visto como tabu pela maioria da população jovem sul-coreana.

Cães presos em uma fazenda de carne desmontada no país

Cães presos em uma fazenda de carne desmontada no país © Humane Society International

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Pesquisas sugerem, porém que entre a população mais idosa o hábito é ainda comum em diversas regiões da península. O consumo de carne de cachorro vem sendo alvo de críticas por toda a comunidade internacional, e se tornou tema de intenso debate político no país, que passará por uma eleição presidencial no ano que vem: o candidato Lee Jae-myung, maior opositor da atual administração, já afirmou que, se eleito, irá consultar a população através de um plebiscito sobre o tema, enquanto Yoo, Seok-youl, também adversário de Jae-in, disse se tratar de assunto de “decisão pessoal”. A lei de proteção animal no país busca evitar a matança desenfreada de cães e gatos, mas não proíbe o consumo da carne.

A primeira-dama Kim Jung-sook ao lado do presidente e entre outros cães, em 2018

A primeira-dama Kim Jung-sook ao lado do presidente e entre outros cães, em 2018 © Twitter/reprodução

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Outras pesquisas recentes confirmam que a maioria da população da Coréia do Sul é favorável a proibição total ou parcial da produção e do consumo de carne de cachorro. Segundo consta, a crítica ao hábito é inversamente proporcional ao crescimento da presença de animais de estimação no país, com um número cada vez maior de habitantes cuidado de cães em suas casas: o próprio presidente é um desses sul-coreanos apaixonados por cães, e ele e sua família vivem na residência oficial com diversos cachorros, e já foram por diversas vezes fotografados rodeados pelos animais.

O presidente da Coréia do Sul com seu cãozinho

É a primeira vez que o presidente levanta a hipótese de proibir a prática © Shutterstock

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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