Ciência

Teste de QI: o que é e o quanto é confiável

Roanna Azevedo - 22/10/2021

Desenvolvido no início do século passado, o teste de QI ficou conhecido como o método mais famoso de avaliar a inteligência de um indivíduo. Muita gente com certeza já se aventurou tentando fazer algum pela internet sem saber ao certo como funciona. Outras pessoas já devem ter se perguntado sobre a eficácia dele e qual é o verdadeiro significado por trás dos resultados que gera.

Para esclarecer todas essas dúvidas, contamos abaixo um pouco sobre as principais características do teste de QI, sua origem e relevância nos dias de hoje.

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Primeiro, o que é QI? Como funciona o teste?

QI é a abreviação de quociente de inteligência, um valor gerado a partir de experimentos desenvolvidos para avaliar as habilidades cognitivas de um indivíduo. Ele expressa o nível da capacidade mental de uma pessoa considerando a média global e até mesmo a faixa etária, no caso das crianças.

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Essas avaliações são parte de um teste de QI e seus resultados são organizados em uma escala que costuma ir de 0 a 200. Se a nota de uma pessoa estiver entre 121 e 130, ela é considerada superdotada. Mas, se estiver entre 20 e 40, significa que seu raciocínio é muito abaixo da média.

De acordo com o professor de psicologia Richard Nisbett, o valor do QI não é determinado pela genética. Ele afirma que apenas 50%, no máximo, de um QI elevado é decorrência dos genes. As características do ambiente em que o indivíduo cresceu e viveu são muito mais importantes e decisivas no desenvolvimento ou não das capacidades cognitivas de alguém.

Como o teste de QI foi criado?

O processo de criação do teste de QI começou no início do século XX a partir de uma ideia dos psicólogos Theodore Simon e Alfred Binet. A dupla francesa formulou um questionário para ajudar na identificação de crianças que estavam com o desenvolvimento das habilidades de razão, compreensão e julgamento atrasado e que, por isso, precisavam de algum reforço na escola. O exame ficou conhecido como Teste de Binet-Simon.

Mais tarde, em 1912, o também psicólogo William Stern adaptou o teste para que ele conseguisse mensurar a capacidade intelectual de um indivíduo, comparando idade mental e idade cronológica. Quatro anos depois, o exame foi aperfeiçoado por Lewis Terman, que introduziu a matemática, o vocabulário e a memorização como critérios de avaliação. A partir dessa contribuição, as pessoas passaram a ser classificadas em categorias pelo valor do QI que apresentavam.

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O teste ainda faz sentido em 2021?

Depende. Muitos detalhes precisam ser levados em consideração nesse debate, o que torna a resposta completamente relativa. 

O teste de QI continua fazendo sentido porque sua qualidade é cientificamente comprovada para que ele possa ser usado em avaliações psicológicas, analisando habilidades cognitivas que são relevantes para a sociedade. Esses exames ajudam a detectar problemas de aprendizado em crianças e estabelecer estratégias de ensino de acordo com as necessidades delas, por exemplo. Vale lembrar também que eles são instrumentos de análise e coleta de dados, e não a base exclusiva dos diagnósticos psicológicos.

Ao mesmo tempo, os testes de QI podem ser considerados ultrapassados na medida em que só examinam as habilidades lógicas, matemáticas e linguísticas de alguém. Segundo o psicólogo Howard Gardner, “são um indicativo razoavelmente correto de quem se sairá bem em uma escola do século passado”. Outros críticos dos testes argumentam que eles contribuem para a classificação injusta dos resultados por gênero, raça e classe.

Quanto a importância dessas avaliações para o diagnóstico de problemas de aprendizado em crianças, estudos apontam que observar o comportamento delas em casa e na escola seria mais útil. Além disso, já foi comprovado por uma pesquisa da University College London que o QI de uma pessoa aumenta ou diminui de acordo com as experiências que ela vive, e essa mudança geralmente acontece durante a adolescência.

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Foto 1: tjevans/Pixabay

Foto 2: klimkin/Pixabay


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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