Decoração

Wes Anderson decora vagão de trem no Reino Unido feito fosse o cenário de um de seus filmes

Vitor Paiva - 14/10/2021 | Atualizada em - 18/10/2021

Mais do que somente contar uma história, os filmes de Wes Anderson são como verdadeiras obras visuais – nas quais a cenografia, a decoração, as cores e enquadramentos possuem função tão ou mesmo mais importantes que a narrativa propriamente. Além de um grande diretor, Anderson é seguramente também um esteta de grande talento – que costuma utilizar cenários exóticos em seus filmes. Um desses cenários recorrentes em suas obras são os trens, e por isso faz todo sentido que o Belmond, empresa ferroviária de luxo, convidasse o diretor estadunidense a restaurara e redecorar um vagão em um de seus trens.

O Belmond British Pullman cruzando os verdes campos britânicos

O Belmond British Pullman cruzando os verdes campos britânicos

Wes Anderson dentro do Cygnus que decorou

Wes Anderson dentro do Cygnus que decorou

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Estilo, portanto, é palavra-chave, como pode ser visto em clássicos do cinema recente como Os Excêntricos Tenenbaums, Moonrise Kingdom, O Grande Hotel Budapeste e, claro, The Darjeeling Limited, filme que tem um trem, suas viagens e estações como verdadeiros personagens dentro da trama. “Eu frequentemente tive a chance de criar compartimentos e vagões de trens em meus filmes, então estava bastante ansioso em fazer algo novo e participar no processo de preservação que acompanha todos os clássicos projetos de trens Belmond”, afirmou o diretor, em comunicado. “Eles mantêm algo especial vivo, como uma espécie de viagem ameaçada de extinção que, no entanto, é bastante adequada aos tempos atuais”.

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

Cada cor e detalhe foi pensado pelo diretor no vagão

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

As posições das mobílias e mesmo os letreiros foram devidamente determinados por Anderson

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

Louças e talheres também fizeram parte do novo desenho do Cygnus

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O vagão em questão se chama Cygnus, e “estreou” nos trilhos em 1951 como parte de um luxuoso trem do passado – chegando a ser parte do trem utilizado para o transporte durante o funeral do primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Como se não bastasse, o Cygnus também possui experiência cinematográfica, tendo servido de cenário do filme Agatha, de 1972, estrelado por Dustin Hoffman e Vanessa Redgrave – hoje ele é um dos 11 carros que formam o Belmond British Pullman, trem da empresa que viaja especialmente pelo Reino Unido.

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

A detalhada marchetaria é um dos destaques do vagão

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

Segundo consta, muitos detalhes dialogam com a história e o nome do vagão

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

Estofados e carpetes estampados também compõem o visual

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As origens e o passado clássico do vagão foram mantidos como base para a recriação comandada pelo diretor, que balanceou tal história com uma visão moderna e corajosa. “O resultado é um vagão saído diretamente de um de seus filmes: com uma marchetaria incrivelmente simétrica, formas retilíneas e uma celebração de cores complementares”, diz o texto do comunicado. “Linhas vibrantes se apresentam no formato das cadeiras e espelhos, aderindo ao equilíbrio angular pelo qual o diretor é famoso. Os olhares mais atenciosos irão descobrir diversos detalhes que referenciam ao nome e à história do vagão”.

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

A ideia do diretor foi combinar uma história que remonta aos anos 50 com toques de modernidade

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

Elegância e estilo, como em seus filmes, se misturam a uma sensação de suspensão e surrealismo

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As viagens partem da Victoria Station, tradicional estação de trem em Londres, mas viajar para as profundezas do Reino Unido de dentro de um filme de Wes Anderson não é barato: segundo o site, as passagens partem de 400 libras esterlinas por pessoa – pouco mais de 3 mil reais. O alto preço inclui, no entanto, um jantar – além, é claro, da mágica estética do diretor decorando a viagem.

Vagão de trem decorado por Wes Anderson

O resultado traz luxo e conforto planejados por um dos grandes diretores da atualidade

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© fotos: Belmond/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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