Arte

Yemi Davis: quem é o artista nigeriano que está utilizando o NFT para protestar contra injustiças e violências

Vitor Paiva - 08/10/2021 | Atualizada em - 13/10/2021

Migrando do campo concreto do design para as infinitas possibilidades da arte digital, o artista e designer nigeriano Yemi Davis decidiu tomar a virtualidade para protestar pelo mundo real: na coleção intitulada Rase Your Voice, Davis se vale da tecnologia dos tokens não fungíveis para amplificar as mais importantes e diversas mensagens. Bullying, violência sexual, violência policial são alguns dos temas principais das obras digitais únicas criadas pelo artista, em parceria com outros grandes nomes contemporâneos.

“Slipping Away” de Yemi Davis, Alexis Tsegba, Modupeola Soetan, e Bolu Sowoolu

“Slipping Away” de Yemi Davis, Alexis Tsegba, Modupeola Soetan, e Bolu Sowoolu – um dos NFTs em leilão

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A temática de “renascimento” de uma das peças digitais dialoga diretamente com a experiência que o próprio artista enfrentou ao longo de sua vida, por conta de seu albinismo – a inspiração surgiu após ter dialogado diretamente com quem praticou bullying contra ele. “Eu me senti livre”, afirma. “Parecia que um peso imenso havia sido retirado dos meus ombros, e que eu era uma nova pessoa. É isso que estamos tentando explorar com a peça: é como se estivesse renascendo, se transformando em uma nova pessoa”, afirma.

O artista nigeriano Yemi Davis, que assina as obras em parceria e a iniciativa e curadoria dos NFTs

O artista nigeriano Yemi Davis, que assina as obras em parceria e a iniciativa e curadoria dos NFTs

“Metamorphosis”, de Yemi Davis, Alexis Tsegba, Modupeola Soetan e Bolu Sowoolu

“Metamorphosis”, de Yemi Davis, Alexis Tsegba, Modupeola Soetan e Bolu Sowoolu

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Cada peça foi criada em parceria por Davis com outros três artistas, e o encontro pautou o tema a ser desenvolvido nas NFTs. A coleção foi desenvolvida para o programa virtual de NFT da plataforma Voice, que conecta curadores com criadores interessados em trabalhar com peças digitais – a escolha do nome de Davis veio por apontamento do curador Misan Harriman. “Eu sou nigeriano, e sei como é difícil para um artista daqui ou em outras partes em desenvolvimento no mundo para ter a mínima chance”, afirma o curador. “Estamos realmente trabalhando para amplificar vozes, suas artes, para o que o mundo possa conhecer e apoiar a eles por muito tempo”, diz Harriman.

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A escolha por Davis para reunir outros artistas e também apresentar sua própria obra, e tornar os tokens não fungíveis – tecnologia na qual peças digitais únicas são reconhecidas e, assim, comercializadas em valorização semelhante a um quadro original – em suportes para mensagens importantes foi, portanto, natural. “Ao parodiar a mídia de massa e exagerar certos aspectos inerentes à sociedade contemporânea, seu trabalho desenvolve formas que não fogem critérios lógicos, mas se baseiam em associações subjetivas”, afirma o site, sobre Davis, lembrando que seu trabalho responde diretamente “ao ambiente ao redor, utilizando as experiências cotidianas como ponto de partida” – o site Voice pode ser acessado aqui.

"Who Gave the Order", de Yemi, Alexis Tsegba, modupeola e Bolu Sowoolu

“Who Gave the Order”, de Yemi, Alexis Tsegba, modupeola e Bolu Sowoolu

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© artes/fotos: Yemi Davis/créditos/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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