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Zara tinha código para ‘alertar’ sobre clientes negros, diz polícia do Ceará

Redação Hypeness - 20/10/2021

Segundo a Polícia Civil do Estado do Ceará, a loja da Zara no Shopping Iguatemi de Fortaleza possuía um alerta sonoro para clientes suspeitos. De acordo com a investigação – conduzida após uma delegada ser vítima de racismo na loja -, os funcionários tinham um código para notificar sobre clientes que fugiam do padrão da loja e, em sua maioria, eram negros.

A história começou em 14 de setembro, quando a delegada Ana Paula Barroso foi impedida de entrar no estabelecimento. Ela registrou um boletim de ocorrência por racismo e a loja alegou que se tratava de uma “questão de segurança”.

Zara do Shopping Iguatemi tinha código para alertar entrada de pessoas negras e pobres em sua loja; gerente da loja será processado por racismo

O gerente da loja, o português Bruno Felipe Simões, 32, foi indiciado pelo crime de racismo. Além disso, entidades do movimento negro entraram com uma ação contra a Zara por danos morais coletivos no grupo de R$ 42 milhões.

Ao UOL o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Sérgio Pereira, afirmou que o racismo era padrão na loja. “Testemunhas que trabalharam no local alegam que eram orientadas a identificar essas pessoas com estereótipos fora do padrão da loja. A partir dali, ela era tratada como uma pessoa nociva, que deveria ser acompanhada de perto. Isso geralmente ocorria com pessoas com roupas mais simplórias e ‘pessoas de cor'”, disse.

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“Esse código era o ‘Zara zerou’, que foi descoberto durante a investigação. Ele orienta para que exista uma abordagem dentro da loja quando chega alguém ‘diferente’, digamos assim, sem o perfil do consumidor da Zara. É como se aquela pessoa deixasse de ser uma consumidora e se tornasse suspeita”, completou.

A loja sustentou que não autorizou a entrada da delegada por ela estar sem máscara, mas imagens mostram pessoas brancas andando dentro da loja sem máscara tranquilamente instantes antes do ocorrido:

Imagens de segurança mostram que a loja não exigiu máscaras de clientes brancos instantes antes de barrar delegada negra de entrar no estabelecimento

– Funcionários enviam mensagens em etiquetas da Zara denunciando falta de pagamento 

A loja afirma que barrou Ana da loja por conta de questões sanitárias e não por racismo, e que irá “colaborará com as autoridades para esclarecer que a atuação da loja durante a pandemia Covid-19 se fundamenta na aplicação dos protocolos de proteção à saúde.”

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Fotos: Reprodução Foto 2: Divulgação/PC


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