Debate

Atendimento de pessoas com autismo na rede de saúde entra em debate na Câmara

Veronica Raner - 23/11/2021 | Atualizada em - 26/11/2021

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública na última segunda-feira para debater o atendimento de pessoas com autismo no sistema de saúde público e privado. O debate foi organizado pela deputada Erika Kokay, do PT do Distrito Federal. 

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Erika Kokay, deputada federal pelo PT-DF.

A deputada destacou que é preciso que se garanta o atendimento de pacientes que se enquadram no espectro dentro do Sistema Único de Saúde e também entre os planos de saúde privados. Isso daria mais chances a um diagnóstico precoce com atendimento multiprofissional, além do acesso a medicamentos e informações que possam orientar a família e os próprios médicos no tratamento. 

Segundo ela, dentro da rede privada, é comum observar uma oferta incompleta no atendimento. As operadoras de saúde até oferecem cobertura para o transtorno do espectro autista (TEA), mas, muitas vezes, se aproveitam de brechas contratuais ou da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e não prestam atendimento na sua integralidade. 

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A contraprestação se dá de modo mitigado, sob escusas lastreadas no rol da ANS, cláusulas contratuais, das quais os beneficiários não possuem ingerência, contratos por adesão, sem alcançar: profissionais especializados, metodologia adequada, entre outros tantos recursos terapêuticos indispensáveis para o desenvolvimento neurológico e vital dos autistas“, explicou a deputada à Agência Câmara de Notícias. 

Tanto os representantes dos planos de saúde como os do SUS participaram da audiência. Eles afirmaram estar preparados para prestar o atendimento aos pacientes com TEA. No entanto, os representantes de pessoas com autismo relataram dificuldades para acessar alguma etapa do tratamento. 

O presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil, Fernando Cotta.

Um dos problemas levantados na audiência, de acordo com a Agência Câmara de Notícias, foi a não obrigatoriedade, por parte da ANS, de que as operadoras de saúde tenham profissionais especializados em técnicas específicas do atendimento a pessoas com TEA. 

A ANS, quando fala que não pode ingerir sobre o atendimento que está posto, tira a possibilidade de você ter uma metodologia mais adequada. Ela tira as especificidades, a subjetividade, a individualidade de cada projeto terapêutico. Muitas vezes você tem uma determinada metodologia indispensável e considerada adequada para aquela especificidade e aquela individualidade”, observou a deputada do PT.

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Se eu for começar a falar sobre a área pública, a gente pode falar principalmente sobre a insuficiência no atendimento para essas pessoas. No Brasil inteiro nós temos algumas ilhas, e eu chamo de ilhas porque são lugares específicos e muito poucos, onde essas pessoas são atendidas com respeito pelos órgãos públicos“, afirmou o presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil, Fernando Cotta. 

Na rede privada também nós temos essa dificuldade imensa, eu tenho plano de saúde e tenho uma dificuldade imensa de encontrar um profissional qualificado”, finalizou. 

 

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Destaques: Unsplash // Fotos: Wesley Amaral/Agência Câmara


Veronica Raner
Jornalista em formação desde os sete anos (quando criou um "programa de entrevistas" gravado pelo irmão em casa). Graduada pela UFRJ, em 2013, passou quatro anos em O Globo antes de sair para realizar o sonho de trabalhar com música no Reverb. Em constante desconstrução, se interessa especialmente por cultura, política e comportamento. Ama karaokês, filmes ruins, séries bagaceiras, videogame e jogos de tabuleiro. No Hypeness desde 2020.

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