Arte

Autoridades palestinas revelam os mosaicos restaurados do palácio de Hisham, em Jericó

Vitor Paiva - 11/11/2021 às 10:19 | Atualizada em 12/11/2021 às 11:15

A reforma de um dos maiores mosaicos de piso já descobertos no mundo foi enfim concluída na Palestina. Com 836 metros quadrados e utilizando em sua construção mais de 5 milhões de tesselas ou peças individuais para revestimentos, o mosaico adorna o chão das ruínas do Palácio de Hisham, na cidade de Jericó, na Cisjordânia, e sua construção tem mais de 1200 anos, remontando ao século VIII. A restauração do mosaico custou cerca de 12 milhões de dólares, equivalentes a mais de 67 milhões de reais na cotação atual, e ocorreu com o apoio financeiro de autoridades japonesas.

Mosaico do Palácio de Hisham

A reforma visa transformar o mosaico em um dos pontos altos da atração turística que são as ruínas do palácio © Getty Images

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O mosaico é ilustrado por padrões geométricos e abstratos, grafismos que desenham imagens semelhantes a mandalas, como também por representações simbólicas, incluindo a famosa árvore da vida, construída no piso da casa de banhos do palácio, que traz, ao pé da árvore, a imagem de um leão atacando um cervo, simbolizando a guerra e, ao lado, duas gazelas, simbolizando a paz. Segundo as autoridades palestinas, a reforma e reabertura das ruínas à visitação pública têm como objetivo tornar o local em um grande ponto turístico na região.

Mosaico do Palácio de Hisham

A casa de banhos do palácio © Getty Images

Mosaico do Palácio de Hisham

Detalhe da ilustração sobre guerra e paz no mosaico da casa de banhos © Wikimedia Commons

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Localizada às margens do Rio Jordão, Jericó é considerada uma das cidades mais antigas do mundo, com mais de 10 mil anos desde sua fundação. O Palácio de Hisham foi construído entre os anos de 724 e 743 da era comum, durante o Califado Omíada, no governo do califa Hishām ibn ʿAbd al-Malik, como um palácio do deserto. Com um palácio, uma mesquita, um pavilhão, prédios agrícolas e uma casa de banhos, acredita-se que o luxuoso complexo era ocupado por um sobrinho do califa. O Califado Omíada foi o segundo dos quatro principais califados islâmicos, e durou entre os anos de 665 e 750 da era comum.

Mosaico do Palácio de Hisham

Um dos maiores já encontrados, o mosaico tem mais de 5 milhões de peças

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A milenar construção permaneceu abandonada por muitos séculos, até ser redescoberta por arqueólogos em 1873. O piso em mosaico, porém, só foi encontrado em 1930. A reforma recente teve início em 2016, após um acordo estabelecido entre o Ministério do Turismo Palestino e a Agência de Cooperação Internacional do Japão, uma entidade governamental que coordena a Assistência Oficial ao Desenvolvimento, braço do Ministério das Relações Exteriores japonês que oferece suportes diversos para países em desenvolvimento.

Ruínas do Palácio de Hisham

As ruínas do Palácio de Hisham, em Jericó, foram descobertas no século XIX © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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