Arte

Basquiat: quem foi o artista de rua que revolucionou o neoexpressionismo

Roanna Azevedo - 18/11/2021 | Atualizada em - 22/11/2021

Apenas 27 anos de vida foram necessários para Jean-Michel Basquiat se tornar um dos maiores nomes do neoexpressionismo e das artes plásticas. Ele foi o primeiro artista negro americano a se tornar uma estrela internacional durante os anos 1980. Com pinturas politicamente carregadas que mostravam a realidade social dos Estados Unidos, expôs suas obras em diversos museus espalhados pelo mundo até levá-las à capa da The New York Times Magazine.

Que tal conhecer um pouco mais a história de Basquiat? Reunimos os principais fatos sobre a vida e o trabalho do artista, que assinava seus quadros com o desenho de uma coroa para contestar o modelo de arte ocidental.

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Quem foi Basquiat?

Basquiat foi um artista negro que trabalhou numa indústria predominantemente branca e eurocêntrica.

Nascido na Nova York de 1960, Jean-Michel Basquiat se tornou um amante das artes desde muito jovem. Costumava desenhar caricaturas e reproduzir personagens de filmes e programas que assistia na televisão, além de visitar os diversos museus espalhados pela cidade junto com a mãe durante a infância. 

De ascendência haitiana e porto-riquenha, ele entendia espanhol e gostava de ler poesia simbolista francesa, de onde tirou inspiração para sua futura carreira. Mas a maior delas veio das imagens do livro “Anatomia de Gray”, um presente que sua mãe lhe deu após ter sido atropelado por um carro aos oito anos de idade. Desde então, as formas e partes do corpo humano passaram a ser recorrentes em seus trabalhos artísticos.

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Após o divórcio dos pais, Basquiat viveu em Porto Rico de 1974 a 1976, quando voltou para Nova York. Sem conseguir se adaptar à educação das escolas convencionais, passou a estudar na Edward R. Murrow High School, voltada para o campo das artes, mas abandonou o ano letivo antes de terminá-lo. Aos 17 anos, ele também fugiu de casa e foi morar nas ruas, em prédios abandonados e junto com amigos, se sustentando com a venda de camisetas e cartões postais que pintava.

Ainda em 1976, ele começou a grafitar prédios do sul de Manhattan na companhia do amigo Al Diaz. Os dois assinavam as obras com o pseudônimo SAMO, uma espécie de abreviação da expressão “same old shit” (“a mesma merda”, em livre tradução para o português). A parceria acabou em 1979.

Durante esse meio tempo, Basquiat também tocava clarinete e sintetizador em uma banda chamada Gray. O som experimental e que desafiava a estrutura harmônica padrão feita por ele foi mais uma influência para seu estilo de pintura.

Assinatura da SAMO, a colaboração artística de Basquiat e Al Diaz.

As apresentações de música que fazia ajudaram Basquiat a se inserir na cena underground e conhecer outros artistas. Em 1979, ele apareceu no programa de TV Glenn O’Brien e logo se tornou convidado regular da atração. No ano seguinte, participou de sua primeira exposição de arte e vendeu suas primeiras obras, ganhando cada vez mais notoriedade. Também fez parte do videoclipe de “Rapture”, da banda Blondie. Pouco tempo depois, interpretou um personagem quase autobiográfico no filme Downtown 81: um jovem artista tentando sobreviver em meio ao grafitti e ao hip-hop.

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Basquiat conheceu o também artista Andy Warhol, que ficou impressionado com seu talento. Os dois se tornaram amigos e firmaram uma parceria de 1982 a 1985. Durante esses anos, colaboraram em uma série de pinturas que misturavam serigrafia e as técnicas de cada um. A mais famosa delas foi “Olympic Rings” (1985). 

Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat em 1985.

Os anos em que esteve em contato com Warhol foram bastante frutíferos para Basquiat. Ele foi apresentado a Larry Gagosian, um renomado negociador de arte, passou a pintar telas e vendê-las para inúmeros compradores e galerias ao redor do mundo, do Japão à Suíça. Também participou de diversas exposições importantes, sendo o artista mais jovem a exibir suas obras na Dokumenta, em 1982, e na Bienal do Whitney Museum, em 1983.

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Jean-Michel Basquiat morreu em 1988 devido a uma overdose de heroína. Sua história foi contada no cinema pelo filme Basquiat (1996), com Jeffrey Wright no papel principal e David Bowie como Andy Warhol.

As características da arte de Basquiat e sua importância

Jean-Michel Basquiat em seu estúdio. Nova York, 1987.

O estilo artístico de Basquiat seguia uma tendência neoexpressionista, podendo ser chamado de “primitivismo intelectualizado”. Baseando-se na anatomia humana e em imagens repetitivas, retratava rostos afundados em formato de caveira com olhos grandes e bocas abertas. Prédios, carros, policiais e outras cenas da vida urbana também faziam parte das composições, repletas de cores fortes, rabiscos e colagens. 

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O uso da palavra como elemento artístico era um ponto importante para Basquiat. Ele gostava de escrever nas telas terminologias médicas, termos de significado implícito ou simplesmente riscar frases para destacá-las de uma forma não convencional. Segundo o artista, “o fato de estarem obscuras dá vontade de lê-las”.

Basquiat também fazia duras críticas à desigualdade social e racial nos Estados Unidos. Muitos de seus quadros denunciavam a luta de classes entre ricos e pobres e os mecanismos de segregação. Figuras masculinas negras fundamentais para a cultura e a história eram frequentemente retratadas, como o lutador Muhammad Ali e o musicista Thelonious Monk.

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Principais obras de Basquiat

Ironia do Policial Negro (1981).

 

Pássaro no Dinheiro (1981).

 

Sem título (Caveira) (1981).

 

Coroas (Peso Líquido) (1981).

 

Dispensador de Pez (1984).

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Foto 1: Flickr Commons

Foto 2: Henry Flynt

Foto 3: Richard Drew/AP

Foto 4: Tseng Kwong Chi/Muna Tseng Dance Projects, Inc.

 


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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