Arte

Cinta Vidal: artista desafia a gravidade criando novas perspectivas de espaço e da gravidade

Vitor Paiva - 12/11/2021 | Atualizada em - 16/11/2021

Basta um primeiro olhar sobre o trabalho da artista catalã Cinta Vidal para que nossas noções e percepções sejam postas em suspensão – tanto em determinações básicas como a lei da gravidade ou outras leis da física, quanto através dos muitos sentidos metafóricos e críticos que se iluminam a partir de cada uma de suas pinturas.

Nelas, o teto também é chão ou o chão na verdade é teto, e o que parece estar em cima pode em verdade estar ao lado, embaixo ou mesmo flutuando – em uma espécie de sobreposição de ilusões de ótica e de sentidos e ângulos arquitetônicos que criam uma espécie de labirinto de varandas, paredes, salas e escadas que se cruzam e se atravessam para todos os lados.

“Twilight II” (2021), óleo sobre tela

“Twilight II” (2021), óleo sobre tela

-Escher explica seu processo criativo neste vídeo raro

Lembrando diretamente o trabalho do grande pintor e ilustrador holandês M. C. Escher, a sensação que a obra de Vidal nos provoca lembra rapidamente em metáfora a própria forma geral que a realidade atual parece impor: tudo parece ao contrário, e a mais óbvia base se suspende e é posta sobre nossas cabeças.

Diferentemente do clima suspenso e fantasioso que tais peças gráficas costumam trazer, a sobriedade e até mesmo um contraditório aspecto realista que as pinturas sugerem sobre o cenário fantástico criado, tornam as pinturas ainda mais instigantes – e ainda mais metafórica.

"Sunset" (2021), óleo sobre tela

“Sunset” (2021), óleo sobre tela

"Nocturnal" (2021), óleo sobre tela

“Nocturnal” (2021), óleo sobre tela

-Conheça o condado na Califórnia que desafia a lei da gravidade

É como se, pelo pincel de Vidal, uma pintura de Escher fosse tratada como uma planta arquitetônica, e o labirinto de paredes e escadas fosse efetivamente construído.

E mais: que pessoas vivessem em tais construções feito fossem casas normais, em contextos onde a lei da gravidade, por exemplo, simplesmente não mais valesse: o escritório fica no teto da sala, e o vizinho caminha pelas paredes do lado de fora de um prédio – segundo a artista, as distorções e ilusões de ótica buscam justamente questionar nossas noções de espaço individual e comunidade, assim como as estruturas e limites de nossos pensamentos.

"Eventide" (2021), óleo sobre tela

“Eventide” (2021), óleo sobre tela

"Evenfall" (2021), óleo sobre tela

“Evenfall” (2021), óleo sobre tela

-Artista de 18 anos desenha as ilusões de ótica mais inacreditáveis que você já viu

A artista catalã acaba de inaugurar a exposição “Concrete” no Museum of Art & History (MOAH), em Lancaster, na Califórnia – e, além das peças expostas, vem também trabalhando em um imenso mural nos arredores do museu, em processo que ela vem documentando em seu perfil no Instagram.

“Eu planejei uma série de pinturas de temática noturna com arquitetura funcional, e de alguma forma esses tempos incertos em que vivemos se fazem presentes em minha obra”, escreveu. “Nosso refúgio tem sido nossas casas e eu usei cimento para traduzir essa sensação de isolamento em nossos “bunkers”.

"Eve" (2021), óleo sobre tela

“Eve” (2021), óleo sobre tela

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© artes: Cinta Vidal


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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