Arte

Daniel Munduruku: breve perfil do escritor indígena que lutou por cadeira na ABL

Redação Hypeness - 19/11/2021 | Atualizada em - 22/11/2021

A cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras quase foi ocupada por um escritor indígena, mas ainda não foi dessa vez. Daniel Munduruku, um dos maiores autores indígenas da atualidade, concorria à vaga na ABL deixada por Alfredo Bosi (1936-2021) em uma disputa com Paulo Niemeyer Filho e Joaquim Branco. Levou a melhor o primeiro, que é neurocirugião por ofício e autor de sucesso na área. 

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Paraense, Daniel Munduruku tem 57 anos e 54 livros publicados tanto no Brasil, quanto no exterior. Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e phD em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFScar), ele recebeu apoio de mais de 100 escritores que fizeram uma carta pela sua eleição. 

Entre os signatários, estavam Xico Sá, Alice Ruiz, Marcelo Rubens Paiva, Pedro Bandeira e Milton Hatoum.

Ele é um escritor e um educador de grande valor, recorre a mitos de diferentes povos indígenas para escrever suas belas narrativas infanto-juvenis, que fascinam e atraem leitores de todas as idades“, contou Milton Hatoum, em entrevista ao “Estadão”.

Munduruku é paraense e pertence ao povo indígena cujo nome carrega. Seu currículo de prêmios é enorme e pode ficar ainda maior este ano. O autor tem três obras entre as finalistas ao prêmio Jabuti deste ano. 

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Na categoria Infantil, concorre com “Redondeza”, livro que assina com Roberta Asse, e “A origem dos Filhos do Estrondo do Trovão: uma história do povo Tariana”, que escreveu com a autora Rosinha. 

Já na categoria Juvenil, ele concorre com “Crônicas indígenas para rir e refletir na escola”, da editora Moderna. 

‘O Banquete dos Deuses’ e ‘Parece que foi ontem’ são duas obras escritas por Daniel Munduruku.

Sobre sua candidatura, contou, em entrevista à coluna “Página Cinco”, do “Uol”, que ela veio de um desejo de contribuir com a visibilidade da presença indígena em no país. 

Nossas vozes sempre foram silenciadas, mas agora que dominamos a escrita queremos mostrar que sempre estivemos presentes na construção da identidade nacional, ainda que a maioria da população nunca tenha se dado conta disso“, afirmou. 

Para ele, a ABL é uma instituição que tem credibilidade junto à sociedade brasileira e que, por isso mesmo, precisa ser um retrato dessa mesma sociedade.

Ela conseguirá ser um bom espelho na medida em que for capaz de se abrir para acolher a diferença.

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Fotos: Instagram/Divulgação


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