Sustentabilidade

Energias renováveis não estão crescendo rápido o suficiente para evitar colapso climático

Vitor Paiva - 03/11/2021 | Atualizada em - 05/11/2021

Não são boas as notícias trazidas por um novo estudo sobre o crescimento do uso de fontes de energias renováveis como forma de combater as mudanças climáticas. Realizado por cientistas suecos e austríacos e publicado na revista Nature Energy, o estudo avaliou a produção de energia em 60 países, e concluiu que quase nenhum dos países participantes está ampliando a utilização de energias solares e eólicas, por exemplo, como forma de reduzir o aquecimento global e o aumento na temperatura provocado pela ação humana.

hélices

A energia eólica aproveita a força do vento como fonte renovável © Pixabay

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“Essa é a primeira vez que o índice de crescimento de cada país foi medido de forma correta, e mostra a imensa dimensão do desafio de substituir as fontes tradicionais de energia por renováveis, assim como a necessidade de explorar tecnologias e cenários diversos”, afirmou Jessica Jewell, professora de Transição de Energias na Chalmers University of Technology, na Suécia. O estudo se baseou nos números apontados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU, que calculou a necessidade de um crescimento entre 1.4 e 3% ao ano da produção de energias renováveis em cada país, para evitar um aumento entre 1.5 e 2 graus na temperatura média.

Painéis solares

Os painéis solares são também alternativas recomendadas para combater os efeitos da ação humana © Wikimedia Commons

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De acordo com o estudo, o crescimento entre os países analisados foi consideravelmente abaixo do necessário, com cerca de 0,8% de aumento na produção de energia eólica por ano, e 0,6% em energia solar. Somente países de pequena extensão territorial e menor população, como Portugal, Chile e Irlanda apresentaram índices de crescimento próximo do esperado, com crescimento médio de 2% na produção eólica, e 1,5% em energia solar. Os cálculos se basearam em fontes diversas, mas principalmente os balanços mundiais da Agência Internacional de Energia (IEA).

Usina de energia

As usinas tradicionais de energia são um dos maiores poluentes do planeta © PxFuel

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Trata-se, portanto, de mais um estudo que confirma o quanto o mundo está atrasado, de modo geral, no compromisso estabelecido no Acordo de Paris, que estabelece mudanças urgentes para conter as emissões de gases estufa e conter os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. “Entre os maiores países, somente a Alemanha vem mantendo o crescimento na produção de energia eólica, comparada com os cenários de estabilização climática”, afirmou Aleh Cherp, professor de Ciências Ambientais e Política na Central European University, na Áustria. “Em outras palavras, para se manter dentro das metas climáticas, o mundo inteiro precisa construir usinas eólicas na mesma velocidade que a Alemanha”, concluiu.

Vista aérea de Berlim

Vista aérea de Berlim: a Alemanha foi o único país grande a alcançar as metas © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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