Arte

Esculturas em madeira e vitrais coloridos criam verdadeiros portais à beira-mar

Vitor Paiva - 12/11/2021

Tão simples e, ao mesmo tempo, tão encantadoras quanto a luz do sol se multiplicando em raios e cores, as obras da artista inglesa Louise Durham utilizam materiais essenciais para se integrar à paisagem e celebrar, nas palavras da própria autora, a “mágica de todas as coisas vivas”.

As esculturas se erguem como totens nas praias da cidade costeira de Shoreham-by-Sea, ao sul da Inglaterra, onde a artista expõe ao ar livre as peças para todo público, utilizando somente madeira e vidro para criar um efeito impactante e belo, como vitrais que ao mesmo tempo se misturam à natureza e destacam a força de seus elementos.

Esculturas de Louise Durham

As peças de Durham misturam madeira e vidro – e se misturam à paisagem

Esculturas de Louise Durham

Quando prontas, as esculturas são expostas nas praias da região

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“É difícil imaginar alguém que não se encante diante da beleza de um arco-íris no céu, É algo universal”, afirmou Durham, em entrevista ao site My Modern Met. Para ela, a estética de uma peça encanta os olhos, mas seu sentido vai além, tal qual uma paisagem pode nos trazer profundo bem-estar.

“Uma vez que tenho todo o espectro das peças de vidro sobre minha mesa, sinto como que uma vibração curativa, algo que simplesmente faz eu me sentir melhor”, diz. Todo o vidro é cortado manualmente, assim como posicionado feito fossem um arco-íris que se pode tocar nas peças de madeira, cada uma delas reaproveitada pela própria artista.

Esculturas de Louise Durham

Para Dunham, suas obras só estão realmente prontas quando atravessadas pela luz do sol

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Além da integração com a natureza e da própria interação com as diversas intensidades de luz, as obras também trazem símbolos essenciais estampando suas partes de vidro – como estrelas, corações, gotas de chuva e mais, como que sugerindo sentido quase  infantil na relação com os totens.

“Eu suponho que quando utilizamos esse tipo de desenho estamos comunicando diretamente algo sobre aquilo que compreendemos de forma inata, nossa conexão com o outro, com a natureza, com nós mesmos, com o universo e mais”, ela diz. Boa parte dos troncos que utiliza como suporte foi recolhida nas próprias praias da região.

Esculturas de Louise Durham

As madeiras são recolhidas pela artistas nas próprias praias ao sul da Inglaterra

Esculturas de Louise Durham

As peças trazem símbolos essenciais, como estrelas e corações, em seus vitrais

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Para além da beleza concreta dos objetos, para a artista as esculturas somente se concluem de fato quando atravessadas pela luz do sol – com as peças posicionadas, na natureza e na luz.

“Talvez os vidros não sejam tão impecáveis quanto aqueles que encontramos em um vitral de uma igreja, mas quando o brilho da luz os atravessa, as linhas tortas não são mais uma questão, as cores ganham vida, e podemos apreciar o que vemos”, afirma, celebrando as imperfeições como virtudes e elementos importantes de suas criações. “Todos nós temos feridas e inseguranças: é uma questão de termos as oportunidades de deixar a luz brilhar”, concluiu. Os trabalhos de Louise Durham podem ser admirados no site da artista – e na natureza da costa sul da Inglaterra.

Esculturas de Louise Durham

Cada vidro é preparado e instalado pela própria artista nas peças de madeira

Esculturas de Louise Durham

Defeitos e imprecisões não só fazem parte como são vistos como virtudes das peças pela artista

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© fotos: Louise Durham/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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