Sustentabilidade

Irma Galindo Barrios: ativista indígena mexicana está desaparecida há quase um mês

Vitor Paiva - 22/11/2021 | Atualizada em - 23/11/2021

A ativista e ambientalista mexicana Irma Galinda Barrios está desaparecida desde o dia 27 de outubro, quando foi ouvida pela última vez na cidade de Oaxaca. Uma das vozes mais ativas na defesa das terras e populações indígenas em seu país, Barrios pertence ao povo Mixtec, e trabalha principalmente contra a indústria madeireira pela proteção das florestas ao sul do estado de Oaxaca, e seu desaparecimento ocorreu uma semana após um atentado contra indígenas na região. O desaparecimento foi noticiado após a ativista não comparecer a uma reunião virtual sobre proteção a jornalistas e ativistas pelo estado.

A ativista mexicana Irma Galinda Barrios

A ativista mexicana Irma Galinda Barrios

-Mais de 653 ambientalistas foram assassinados no Brasil neste século

Mais cedo, nesse mesmo dia, Barrios tentou entregar uma petição ao presidente Obrador, no Palácio Nacional, na Cidade do México, mas não foi atendida. “Não temos muitos oficiais do governo dispostos a irem ver como vivemos. Eles apenas mandam o dinheiro que será usado para comprar as armas que irão nos matar”, ela escreveu, pouco antes de desaparecer, em sua página no Facebook. “Se surgem organizações ou grupos que querem nos ajudar, eles acabam sendo criminalizados e ameaçados. Onde isso vai parar? O que irá acontecer?”, escreveu.

A ativista mexicana Irma Galinda Barrios

Irma Galinda Barrios foi vista pela última vez no dia 27 de outubro

-‘Nobel Verde’: Conheça os vencedores do Goldman Environmental Prize 2021

Poucos dias antes da última aparição pública da ativista, seu vilarejo de San Esteban Atatlahuca foi cenário de uma série de ataques contra três comunidades, nos quais duas pessoas morreram, quatro desapareceram e 90 casas foram incendiadas entre os dias 21 e 23. Segundo a imprensa, foram sete mortes ao todo em Oaxaca, em ataques conduzidos por um grupo de cerca de 70 pessoas fortemente armadas. Assim como o Brasil, o México é um país em que ambientalistas e lideranças indígenas vivem sem segurança e sob constante ameaça.

O vilarejo de San Esteban Atatlahuca

O vilarejo de San Esteban Atatlahuca

-Índios isolados assassinados por garimpeiros: entenda riscos à Terra Yanomami

Segundo o Centro Mexicano de Direito Ambiental (CEMDA), uma ONG que trabalha desde 1993 em defesa dos recursos naturais e da causa ecológica, foram 93 assassinatos de militantes desde 2018 – somente em 2020 o país contabilizou 65 ataques contra ativistas, resultando em 18 mortes. De acordo com a imprensa local, a Defensoria dos Direitos Humanos do vilarejo de Oaxaca (DDHPO) exigiu das autoridades competentes que continuem com as investigações e buscas por Barrios.

Irma Galinda Barrios

A luta de Barrios é em defesa dos povos e das florestas da região

Publicidade

© fotos: Facebook/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.