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Mesquita é invadida no PR e símbolos do islã, inclusive o Alcorão, são queimados

Yuri Ferreira - 30/11/2021

A Mesquita Imam Ali مسجد, um templo islâmico xiita localizado na cidade de Ponta Grossa (PR), foi invadida na última sexta-feira (26) em um caso de islamofobia. Criminosos entraram no local, vandalizaram símbolos sagrados da religião muçulmana e chegaram a queimar o Alcorão.

Líder religioso discursa na Mesquita Iman Ali, em Ponta Grossa; templo foi alvo de vandalismo

Islamofobia 

A Polícia Civil investiga o caso. De acordo com informações das autoridades paranaenses, investigadores e um papiloscopista entraram na Mesquita para periciar o local e encontrar digitais para auxiliar na busca por pistas. Até agora, nenhum suspeito foi identificado.

Além do Alcorão, um quadro que mostrava os princípios do islamismo também foi queimado. Os policiais suspeitam que a ação tenha sido realizada por apenas uma pessoa.

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Uma porta lateral da mesquita foi quebrada e os masbaha, objetos de oração do Islã similares a um rosário cristão, também foram destruídos. Então, o criminoso se dirigiu ao Alcorão e queimou o livro sagrado dos muçulmanos. “Foi como se queimassem um muçulmano por dentro. Queimar o alcorão é uma ofensa muito grande”, disse Ali Mustapha Ataya, assessor jurídico da mesquita.

Como não houve furto dos equipamentos do local, a suspeita de crime contra o sentimento religioso aumenta substancialmente. “Quem pratica qualquer religião precisa ter tolerância com as outras, e quem não pratica nenhuma precisa ter respeito. Estou recebendo a solidariedade da nossa comunidade indignada em todo o Brasil e até do Irã. Nunca vimos aqui no país um caso como esse na nossa comunidade, com a queima de objetos sagrados”, disse o sheik responsável, Mahmoud Shamsi.

Solidariedade contra a islamofobia

O caso é um dos primeiros ataques contra tempos islâmicos no Brasil. Entre 2019, 2020 e 2021, o país viu um aumento nas denúncias de intolerância religiosa. Se as religiões afro-brasileiras sofrem com o racismo religioso, não é difícil entender porque a fé muçulmana também se tornaria uma vítima na nossa sociedade.

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Diversos líderes religiosos se posicionaram em defesa do Estado laico e da liberdade religiosa em favor do templo Imam Ali. “Esse ato não fere somente os muçulmanos de Ponta Grossa, ele fere os muçulmanos do mundo todo com a queima do Alcorão Sagrado. Repudiamos esse ato e esperamos providências, pois isso deve-se encaixar como um crime de intolerância religiosa, como um crime de ódio”, afirmou o xeque Rodrigo Jalloul, um dos principais líderes do islamismo xiita no Brasil.

Organizações judaicas também demonstraram o apoio à mesquita Imam Ali. “É inadmissível que um templo religioso seja desrespeitado com invasão, pichações e a destruição, pela queima do livro sagrado do Alcorão”, diz a nota conjunta da Federação Israelita do Paraná e a B’nai B’rith Paraná.

Lideranças do candomblé também demonstraram repúdio ao crime de intolerância religiosa. “Acompanhamos com preocupação os ataques contra a Mesquita Imam Ali, no dia 27 passado. Nós, candomblecistas, sabemos bem a dor de ter seus objetos sagrados e espaços litúrgicos destruídos em nome do ódio. Repudiamos a islamofobia e qualquer tipo de discriminação”, afirmou a Yalorisá Juçara de Yemoja, em nota de defasa.

A prefeita da cidade de Ponta Grossa, Elizabeth Silveira Schmidt (PSD), foi outra a defender a mesquita Imam Ali nas redes. “Ponta Grossa é e deve continuar sendo uma cidade plural e livre. Não iremos tolerar crimes de ódio e manifestações de intolerância. A invasão da Mesquita Iman Ali e a profanação do Santo Alcorão são inaceitáveis. Toda nossa solidariedade e apoio à comunidade muçulmana de Ponta Grossa”, destacou.

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Fotos: Reprodução/Google Street View Foto 1: Reprodução/Facebook


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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