Reverb

Mick Jagger contracenou com Grande Otelo num longa controverso e nunca lançado; veja trechos

Vitor Paiva - 03/11/2021 | Atualizada em - 09/11/2021

Quando, em 1985, os Rolling Stones enfrentavam uma de suas maiores crises, Mick Jagger decidiu lançar um disco solo. Para promover “She’s the Boss”, o vocalista decidiu realizar não somente um videoclipe, mas sim um longa-metragem, estrelado por ele, no qual as músicas do disco surgiriam como pequenos vídeos dentro do filme: intitulado “Running Out of Luck”, o longa foi todo filmado no Brasil, trazendo um elenco de grandes artistas nacionais e internacionais – mas que nunca chegou a ser lançado nos cinemas brasileiros e hoje aparece em trechos recortados espalhados pelas redes sociais.

Mick Jagger

Jagger vive um personagem baseado nele mesmo no filme promocional

Mick Jagger e Grande Otelo

O cantor contracena com Grande Otelo, um dos maiores atores da história do Brasil

-O pequeno bar lendário onde Mick Jagger passou batido e que resistiu à especulação

O roteiro, assinado por Jagger e recheado de clichês estereotipados e noções envelhecidas – que jamais seria aprovado hoje em dia – conta a história de Mick, um cantor de rock que vem ao Brasil realizar uma filmagem: ou seja, do próprio vocalista dos Stones. Após brigar com a namorada, envolve-se com um grupo de travestis, é sequestrado e vai trabalhar escravizado em uma plantação de bananas em Paraty, onde também é obrigado a prestar favores sexuais à proprietária. Mick, é claro, é vivido pelo próprio, assim como a namorada do personagem é interpretada por Jerry Hall, à época namorada de Jagger – o diretor é interpretado por Dennis Hopper.

-Série de fotos mostra como eram os jovens fãs de Rolling Stones em 1978

Para os olhos brasileiros, porém, o mais incrível de “Running out of luck” é ver o incrível elenco de artistas de cá que trabalham no filme, dirigido por Julian Temple: nomes como Norma Bengell, Carlos Kroeber, Paulo Cesar Pereio, Thelma Reston, Toni Tornado, Sandro Solviatti, Raul Gazolla, além do genial Grande Otelo, entre outros, aparecem ao lado de Jagger em sequências diversas. O filme era, em verdade, uma inusitada peça promocional para a divulgação das músicas do disco, como parte do imenso investimento da gravadora CBS na carreira solo do cantor, em um momento que sua relação com Keith Richards e o próprio futuro dos Rolling Stones encontravam-se especialmente abalados.

Mick Jagger e Grande Otelo

Apesar do incrível elenco, o roteiro é recheado de clichês estereotipados

-Keith Richards diz que parou de beber: ‘Fiquei de saco cheio do álcool’

A qualidade é bastante discutível, o roteiro e os retratos ainda mais, mas conta a lenda que o motivo para o filme não ter recebido maiores lançamentos e divulgações teria sido um processo movido pela atriz brasileira Norma Bengell, que vive a proprietária da plantação de bananas que transforma Jagger em seu escravo sexual. Mick Jagger ainda lançaria outras tentativas de se descolar de sua banda, mas sem sucesso: em poucos anos as pazes seriam feitas com Keith Richards, e os Rolling Stones seguiriam na estrada, onde estão até hoje – e Jagger voltaria ao Brasil diversas vezes, para aventuras mais calmas do que as retratadas no filme.

Publicidade

© fotos: Youtube/Facebook/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.

Especiais