Arte

O incrível figurino da peça ‘O Pássaro Azul’, dirigida por Stanislavski, em fotos de 1908

Vitor Paiva - 12/11/2021

A peça “O Pássaro Azul”, do dramaturgo e poeta belga Maurice Maeterlinck, se tornaria um dos mais montados e adaptados espetáculos do século XX. Mas, sua histórica primeira montagem se deu em 1908, com direção do grande teatrólogo, ator e diretor russo Constantin Stanislavski, no Teatro de Arte de Moscou, sagrou-se como montagem inesquecível.

Pois infelizmente a estreia permaneceria praticamente somente assim, na memória, já que praticamente tudo que havia dessa primeira versão viria a ser destruído – a não ser por algumas incríveis fotografias, que sobreviveram ao tempo com qualidade, e que trazem uma boa sugestão da intensidade do espetáculo, bem como dos incríveis figurinos que adornavam os personagens.

A atriz russa Maria Germanova

A atriz russa Maria Germanova

A atriz russa Maria Germanova

Germanova interpretou a fada na primeira montagem

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O espetáculo conta em seu texto a história de um irmão e uma irmã enviados por uma fada para buscarem pelo pássaro azul da felicidade, que juntos viajam por um mundo fantástico atrás do mítico animal.

Trata-se de um espetáculo tão incrível quanto estranho, e o mesmo pode ser dito sobre os figurinos retratados: nas fotografias, quem veste as roupas dos personagens são os próprios atores que estrelaram a montagem, com destaque para a atriz russa Maria Germanova dando vida à fada. Os figurinos foram projetados e desenvolvidos pelo próprio Stanislavski, com a ajuda do artista V. E. Yevgenoff.

O Pássaro Azul

Os figurinos foram desenvolvidos por Stanislavski

O Pássaro Azul, montagem de 1908

O desenho das roupas foi feito em parceria com o artista V. E. Yevgenoff

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À época, o Teatro de Arte de Moscou, instituição também dirigida por Stanislavski, era um dos grandes centros da comunidade teatral no mundo, e uma estreia do calibre de “O Pássaro Azul” era um verdadeiro acontecimento cultural.

A montagem foi um grande sucesso, cruzando os oceanos para ser encenada na Broadway, em Nova York, dois anos depois, em 1910 e, no mesmo ano, ganhar sua primeira adaptação para o cinema, ainda na era dos filmes mudos. Ao menos outras cinco versões do texto de Maeterlinck viriam a ser levadas para as telas entre 1910 e 2011, com destaque para a filmagem que, em 1940, trouxe Shirley Temple no papel da irmã.

O Pássaro Azul, dirigida por Stanislavski em fotos de 1908

A personagem “Noite”, na montagem de 1908

O Pássaro Azul, montagem de 1908

Alisa Coonen interpretando Mytyl, à esquerda, e Sofya Khalyutina, vivendo Tylty, à direita, como os personagens principais

O Pássaro Azul, primeira montagem, de 1908

Os figurinos causaram espanto e interesse, bem como a própria história

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Cenários, figurinos e outras memorabílias da primeira montagem, reunindo um dos grandes autores de seu tempo –  Maeterlinck viria a ganhar o Nobel de Literatura, em 1911 – com um dos maiores nomes da história do teatro, no entanto, seriam destruídas com a chegada da primeira guerra mundial, em 1914.

O texto de “O Pássaro Azul”, ao menos, sobreviveria à passagem do tempo com louvor, sendo adaptado também para ópera e até mesmo para séries de TV. Nunca mais, porém, a intensidade e a originalidade de um figurino vestiram tão bem uma história igualmente estranha e singular quanto em sua estreia, como mostram as presentes fotos, mais de 120 anos atrás.

O Pássaro Azul, primeira montagem, de 1908

As fotos são a única memória preservada da primeira montagem, de 1908

O Pássaro Azul, primeira montagem, de 1908

O Pássaro Azul se tornaria um dos espetáculos recorrentemente montados pelo mundo

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© fotos: Dangerous Minds/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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