Ciência

Planeta ‘sobrevivente’ traz revelações sobre o fim do nosso Sistema Solar

Vitor Paiva - 16/11/2021 | Atualizada em - 18/11/2021

A descoberta do primeiro exoplaneta “sobrevivente” conhecido, que resistiu à morte de sua estrela sem alterar sua órbita, pode revelar informações importantes sobre o Sistema Solar, seu futuro, e potencialmente sobre seu fim: sobre o que pode acontecer quando o Sol “explodir”. A confirmação se deu no Observatório Keck, no Havaí, e foi publicada na revista Nature, sugerindo que o exoplaneta sobreviveu por pouco: estivesse o corpo celeste um pouco mais próximo da estrela moribunda, e teria sido engolido pela expansão ocorrida durante sua transformação em “anã branca” – em uma estrela morta.

Representação de uma estrela anã branca - uma estrela morta

Representação de uma estrela anã branca – uma estrela morta

-Os deslumbrantes vestígios laranja neon de uma estrela morta capturados pela NASA

O planeta fora do Sistema Solar descoberto é semelhante a Júpiter, tanto em sua massa quanto na distância orbital e de sua estrela, e as dimensões do fenômeno podem ser aplicados sobre os parâmetros do Sistema Solar para calcular nosso futuro. Através da descoberta, por exemplo, é possível concluir que, no dia em que o Sol se tornar uma “gigante vermelha” – uma das fases de sua “morte”, após se expandir, em fase violenta do processo final, na qual a estrela aumenta seu tamanho em centenas de vezes –, Júpiter e suas luas, bem como Marte, provavelmente sobreviverão ao processo.

Sirius A, estrela grande à esquerda, e Sirius B, uma estrela anã branca

Sirius A, estrela grande à esquerda, e Sirius B, uma estrela anã branca, menor, à direita

-Astrônomos podem ter localizado o primeiro exoplaneta conhecido em outra galáxia

A má notícia, porém, é que os três planetas mais próximos provavelmente serão engolidos pelo Sol em expansão – e isso inclui, além de Mercúrio e Vênus, a Terra. Há, porém, ainda muito tempo até esse dia chegar: estima-se que nossa estrela ainda tenha cerca de 5 a 8 bilhões de anos pela frente. Após a fase como “gigante vermelha” e ao se tornar uma “anã branca”, os planetas sobreviventes também ainda terão bilhões de anos pela frente, “alimentados” pela radiação restante emitida pela estrela. Depois desses primeiros bilhões de anos após a morte, porém, a radiação deixaria de ser suficiente para a sobrevivência eventual de vida nos planetas ao seu redor.

Sol

O Sol ainda tem entre 5 e 8 bilhões de anos de vida estimados pela frente

-Júpiter colidiu com um planeta menor e o engoliu, aponta estudo

O método utilizado para descobrir o planeta ao redor de uma anã branca foi de detecção por microlente, no qual a gravidade de uma estrela amplia a luz de uma estrela posicionada atrás, distorcendo e curvando a luz ampliada. A estrela morta descoberta está localizada a cerca de 6,5 mil anos-luz do Sistema Solar, distância equivalente a um quarto do trajeto até o centro da Via Láctea, e se apresenta como o mais concreto vislumbre do nosso futuro, ainda distante em bilhões de anos, mas como boa notícia – ao menos para quem eventualmente estiver em Júpiter.

Júpiter

Quem estiver em Júpiter não terá com o que se preocupar quando o Sol explodir

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© fotos 1, 3, 4: Wikimedia Commons

© foto 2: Flickr/CC


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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