Inspiração

Primeiro piloto autista do Brasil corre atrás de patrocínio pelo sonho de ser campeão nas pistas

26 • 11 • 2021 às 15:31
Atualizada em 30 • 11 • 2021 às 10:29
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O jovem Dimitry Fernandes Kalinowski ainda era criança, e o automobilismo já era seu principal interesse: como é comum entre os pilotos, a paixão pelos carros e corridas desde muito pequeno se parecia com uma verdadeira obsessão.

Dimy ainda era criança mas já assistia as corridas pela televisão, e aos quatro anos ganhou dos pais um carro elétrico. Para ele, porém, esse verdadeiro amor pelos karts e as pistas se misturava com sintoma de uma condição peculiar, que viria a ser confirmada quando ele completou 15 anos: o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo.

O piloto Dimitry Fernandes Kalinowski

O piloto Dimitry Fernandes Kalinowski

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Primeiro piloto autista do Brasil

Conforme noticiou reportagem da BBC News Brasil, antes do amor pelos carros aparecer, já surgiam os primeiros indícios de autismo em Dimy, quando ele ainda era um bebê de colo, percebidos por sua mãe, a nutricionista Branca Fernandes.

Além da dificuldade de socialização e comunicação e da repetição de comportamentos, a condição costuma provocar hiperfoco e interesse restrito, quando um único assunto se torna verdadeira obsessão para pessoa autista: no caso de Dimy, o diagnóstico deixou claro que seu hiperfoco era o automobilismo.

Dimy e sua mãe, a nutricionista Branca Fernandes

Dimy e sua mãe, a nutricionista Branca Fernandes

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Dimy cresceu em Curitiba, e participou de corridas e competições amadoras no kart desde criança, se destacando e recebendo elogios com frequência.

Esse ano, porém, pela primeira vez participou de uma competição oficial, e se tornou o primeiro piloto com autismo registrado na Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) – em seu caso, de nível considerado moderado, sem interferir em nada em seu desempenho como piloto. O mesmo, porém, não pode ser dito da questão financeira: sem nenhuma ajuda externa, e contando somente com o investimento da família, seu futuro no esporte que é sua grande paixão de vida por esse motivo segue incerto.

corrida

O jovem recentemente participou de sua primeira corrida oficial

Dimitry ficou na quinta colocação em sua primeira corrida

Dimitry ficou na quinta colocação em sua primeira corrida

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Atualmente, Dimy mora em Cuiabá, e os custos de manutenção, treinador e combustível têm impedido o jovem até mesmo de treinar com a frequência que necessita. Sua corrida não é somente contra outros pilotos, mas também enfrentando o tempo: o medo de perder patrocinadores potenciais por não ter mais a idade típica de um iniciante faz com que ele não revele quanto anos tem, afirmando somente ter mais de 20 e menos de 25.

Uma coisa, porém, é sabida: o talento do jovem é real, bem como seu sonho de crescer no kart, e subir de categoria, para um dia poder viver do automobilismo – e representar outros autistas a perseguirem seus sonhos como ele corre pela primeira posição nas pistas.

Dimitry

Seu sonho é tornar-se piloto profissional: o autismo não interfere em seu desempenho

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© fotos: Arquivo pessoal/reprodução BBC News Brasil


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