Ciência

Sangue azul? Antepassados membros da realeza são mais comuns do que se imagina, diz pesquisa

Vitor Paiva - 16/11/2021

Se as famílias chamadas “reais”, ligadas aos poderes monárquicos em todo o mundo, costumam se portar feito fossem especiais e mesmo raras, a ciência comprova o exato contrário: muitas pessoas são descendentes de reis e rainhas do passado, especialmente em países com históricos monárquicos ancestrais como a Inglaterra, mesmo que simplesmente não saibam. Uma reportagem da BBC News, a partir de um episódio recente de um programa de TV sobre genealogia, DNA e históricos familiares, demonstrou como uma parte considerável da população atual tem como antepassados membros da realeza, como os Reis Eduardo I, Eduardo III ou Ricardo III.

Pintura do Rei Eduardo I, localizada na Abadia de Westminster, em Londres

Pintura do Rei Eduardo I, localizada na Abadia de Westminster, em Londres

-Leonardo da Vinci tem 14 descendentes vivos identificados por historiadores

Em suma, a realeza é, em verdade, geneticamente comum e recorrente, com seu diferencial essencialmente ligado somente ao poder político e financeiro. O programa da BBC apresentado como exemplo pela reportagem se chama Who Do You Think you Are?, e recentemente analisou o material genético do comediante britânico Josh Widdicombe para mostrar que ele era parente do Rei Eduardo I, da Inglaterra, coroado em 1274 e morto em 1307. Exssa, no entanto, é uma conclusão surpreendentemente comum: estima-se, segundo a reportagem, que uma pessoa nascida em meados do século XX está conectada geneticamente a cerca de 80% da população do século XIII, por exemplo – o que inclui, em muitos casos, as famílias reais.

Representação do Rei Ricardo III

Representação do Rei Ricardo III

-Brasil é nação construída em estupro de mulheres negras e indígenas por brancos europeus, aponta estudo

A questão, portanto, é o quão longe as pessoas conseguem ir em termos de determinação de suas árvores genealógicas: quanto mais longe se consegue “voltar no tempo” para examinar o mapa de parentesco, maiores são as redes de ancestralidade comum. Segundo a matéria, não é impreciso afirmar que existem hoje literalmente milhões de pessoas com parentesco direto com, por exemplo, o Rei Ricardo III, imortalizado por William Shakespeare e que comandou a Inglaterra entre os anos de 1483 e 1485. “Sempre digo às pessoas que somos todos parentes uns dos outros. É só uma questão de grau”, diz a professora de genética Turi King, na reportagem da BBC News.

A Rainha Elizabeth II e o Principe Phillip

A Rainha Elizabeth II e o Principe Phillip – ele, de origem grega

-Historiadores acreditam que rainha Elizabeth II é descendente de Maomé, fundador do islã

A medição de eventuais conexões genéticas com pessoas célebres do passado é, claro, mais fácil de ser apontada, por conta dos próprios registros estabelecidos séculos atrás, e em muitos casos mantidos desde então, como é comum entre os membros da chamada realeza. Muita gente, no entanto, é também descendente de camponeses, trabalhadores, populações pobres e todo tipo de indivíduos cujos registros oficiais não mais existem, ou nunca existiram – as conclusões também sugerem, em força empírica e científica, o quanto as famílias, na prática, não são formadas por laços biológicos ou genéticos somente. A reportagem da BBC News, assinada por Sean Coughlan, pode ser lida aqui.

Elizabeth com seu filho Charles, recém-nascido, em 1948

Elizabeth com seu filho Charles, recém-nascido, em 1948

Publicidade

© fotos: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.