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Solitude: pesquisa mostra que adultos e adolescentes tiraram boas experiências da quarentena no Reino Unido

Vitor Paiva - 05/11/2021

Embora a pandemia não tenha lados positivos, o ser humano é capaz de tirar lições e melhorias de tudo, e com as imposições das quarentenas e lockdowns eventuais não seria diferente. É o que comprova um novo estudo realizado pela Universidade de Reading, na Inglaterra, mostrando que adolescentes e adultos puderam tirar benefícios da solidão vivenciada principalmente durante o início da pandemia da Covid-19, no ano passado. O estudo contou com a participação de 2 mil pessoas entre todas as idades, incluindo jovens entre 13 e 16 anos.

passeios de bicicleta

Os passeios de bicicleta foram um meio de entrar em contato com a natureza © Getty Images

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Ainda que alguns participantes tenham relatado sensações de piora no humor e no bem-estar de modo geral, boa parte afirmou que a solidão trouxe a sensação de competência e autonomia. 43% mencionaram que estar sozinho ou sozinha trouxe a possibilidade de investir na melhoria de habilidades, assim como de desenvolvimento de conexão e confiança em si, especialmente entre os adultos e participantes mais velhos. Se os adolescentes trouxeram mais a sensação de alienação pela falta de interação com amigos – um em cada sete, ou cerca de 14,8%, o dobro do índice entre adultos –, os mais velhos apresentaram maiores índices de mau humor ou mal-estar.

adolescente com cachorro

Adolescentes também afirmaram melhorias; passear com cachorros foi hábito de quarentena © Wikimedia Commons

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“Nossos estudos mostram que aspectos da solidão são reconhecidos entre todas as idades e traz benefícios para nosso bem-estar”, afirma a Dra. Netta Weinstein, professora associada de psicologia na Universidade de Reading, e líder do estudo. “A sabedoria convencional diz que adolescentes de modo geral sentiram a pandemia da Covid-19 como uma experiência negativa, mas vemos no nosso estudo como componentes da solidão podem ser positivos. Sabemos que muitas pessoas se reconectaram com hobbies e interesses, ou ampliaram a apreciação pela natureza, através de caminhadas ou passeios de bicicleta”, afirmou. Exercícios físicos mais intensos e regulares foi outro exemplo apontado pela pesquisa.

mulher lendo

A leitura diária foi um dos hábitos de quarentena mais citados © Getty Images

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O estudo foi realizado no Reino Unido, e publicado na revista Frontiers in Psychology com o título What Time Alone Offers: Narratives of Solitude From Adolescence to Older Adulthood (O que o tempo solitário nos oferece: narrativas de solidão da adolescência até a fase adulta, em tradução livre). O levantamento se deu através de uma série de entrevistas, das quais os resultados e informações foram retiradas. Os autores do estudo reiteram, no entanto, que a pesquisa focou em uma fase da quarentena, durante o meio do ano passado, e recomendam que novos levantamentos sejam realizados sobre o tema, a fim de determinar eventuais variações sobre as sensações, bem como possíveis agravamentos com a passagem do tempo e a própria intensificação da pandemia.

homem correndo de máscara

Os exercícios físicos também foram um dos hábitos mais citados © PxHere

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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