Debate

Tenente menstruada foi presa por abandonar posto para lavar farda suja de sangue no Ceará

Vitor Paiva - 18/11/2021 às 16:31

No Ceará, uma tenente da Polícia Militar foi presa por abandono de posto no dia 28 de outubro, após tirar sua farda, manchada por conta de sua menstruação, para ser lavada. A tenente, que teve sua identidade preservada, foi questionada por um tenente-coronel, ao sair à paisana para buscar seu almoço. O superior a levou até a Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar de Fortaleza, onde permaneceu presa até o dia seguinte, quando foi solta após audiência de custódia.

BPTUR

A tenente trabalhava como supervisora da BPTUR no momento da prisão

-Empresa inova e adota licença menstruação remunerada

A Polícia Militar do Ceará (PMCE) comunicou, em nota, que o tenente-coronel superior afirmou ter flagrado a policial “saindo do quartel, sem uniforme e sem autorização superior, no horário em que deveria estar de serviço”. Segundo a nota ela afirmou que estava indo almoçar quando foi detida, mas “não procede informação de que a mesma estaria lavando o fardamento, na ocasião”, de acordo com o comunicado da PM. Uma reportagem do site G1, porém, teve acesso ao processo da prisão e, de acordo com os autos, a policial disse em depoimento que seu fardamento estava sujo por conta de sua menstruação.

-Clube inglês se torna o 1º a alinhar treinamento com ciclo menstrual de atletas

De acordo com a matéria, consta no termo de interrogatório que, “perguntada de que forma e qual a extensão do problema da sua farda molhada, respondeu que foi ao banheiro e acabou molhando sua farda por lá e que está passando um período que toda mulher passa, e a farda sujou em razão disso”. Segundo o depoimento, o tenente-coronel não permitiu que ela vestisse a farda nem que almoçasse, exigindo que ela fosse a seu encontro quando recebeu voz de prisão.

BPTUR

A PMCE negou a informação, presente no depoimento, de que ela teria tirado a farda por conta de sua menstruação

-Sem dinheiro para absorventes, 1 em cada 4 jovens já deixou de ir à aula por menstruar

No dia, a militar estava trabalhando na supervisão do Batalhão de Polícia Turística (BPTUR), e havia liberado sua equipe para o almoço. A nota da PMCE afirmou que “o policial militar, quando de serviço, tem que passar todo o turno de trabalho uniformizado e se tiver um caso fortuito, deve informar de imediato ao seu superior hierárquico, o que não teria sido feito pela policial militar no referido caso”. O caso está sendo apurado pela unidade jurídica da Polícia e, quando procurado, o advogado da tenente afirmou que, no momento, a defesa prefere não se pronunciar sobre o caso.

 

 

Publicidade

© fotos: SSPDS/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Canais Especiais Hypeness