Debate

Tenente menstruada foi presa por abandonar posto para lavar farda suja de sangue no Ceará

Vitor Paiva - 18/11/2021

No Ceará, uma tenente da Polícia Militar foi presa por abandono de posto no dia 28 de outubro, após tirar sua farda, manchada por conta de sua menstruação, para ser lavada. A tenente, que teve sua identidade preservada, foi questionada por um tenente-coronel, ao sair à paisana para buscar seu almoço. O superior a levou até a Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar de Fortaleza, onde permaneceu presa até o dia seguinte, quando foi solta após audiência de custódia.

BPTUR

A tenente trabalhava como supervisora da BPTUR no momento da prisão

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A Polícia Militar do Ceará (PMCE) comunicou, em nota, que o tenente-coronel superior afirmou ter flagrado a policial “saindo do quartel, sem uniforme e sem autorização superior, no horário em que deveria estar de serviço”. Segundo a nota ela afirmou que estava indo almoçar quando foi detida, mas “não procede informação de que a mesma estaria lavando o fardamento, na ocasião”, de acordo com o comunicado da PM. Uma reportagem do site G1, porém, teve acesso ao processo da prisão e, de acordo com os autos, a policial disse em depoimento que seu fardamento estava sujo por conta de sua menstruação.

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De acordo com a matéria, consta no termo de interrogatório que, “perguntada de que forma e qual a extensão do problema da sua farda molhada, respondeu que foi ao banheiro e acabou molhando sua farda por lá e que está passando um período que toda mulher passa, e a farda sujou em razão disso”. Segundo o depoimento, o tenente-coronel não permitiu que ela vestisse a farda nem que almoçasse, exigindo que ela fosse a seu encontro quando recebeu voz de prisão.

BPTUR

A PMCE negou a informação, presente no depoimento, de que ela teria tirado a farda por conta de sua menstruação

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No dia, a militar estava trabalhando na supervisão do Batalhão de Polícia Turística (BPTUR), e havia liberado sua equipe para o almoço. A nota da PMCE afirmou que “o policial militar, quando de serviço, tem que passar todo o turno de trabalho uniformizado e se tiver um caso fortuito, deve informar de imediato ao seu superior hierárquico, o que não teria sido feito pela policial militar no referido caso”. O caso está sendo apurado pela unidade jurídica da Polícia e, quando procurado, o advogado da tenente afirmou que, no momento, a defesa prefere não se pronunciar sobre o caso.

 

 

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© fotos: SSPDS/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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