Ciência

Teoria das Cordas: como a matemática pitagórica da música pode ajudar a entender o universo

Vitor Paiva - 04/11/2021

Enquanto a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, explica a mecânica do mundo dos planetas, galáxias e estrelas – o mundo das coisas “grandes” – e a teoria quântica explica como funciona o sistema das coisas atômicas ou abaixo dessa escala – das coisas “pequenas”, como elétrons, prótons, moléculas –, cientistas desde sempre buscam por uma teoria capaz de explicar os dois sistemas, as duas medidas, os dois universos: uma ideia de Teoria de Tudo. Uma reportagem da BBC News Brasil mostra como, ainda que siga sem resposta comprovada, uma das melhores hipóteses para essa possibilidade de uma teoria que junte as duas esferas da Física é a Teoria das Cordas, que parte, entre outras coisas, da matemática musical de Pitágoras para tentar entender como o universo funciona em todas as suas esferas.

Albert Einstein

Einstein foi um dos cientistas a buscar uma teoria universal da física © Pixabay

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Segundo a reportagem, Pitágoras também procurava um elemento unificador, uma ideia capaz de explicar o universo como um todo e, ao ver uma lira, pensou que cada corda do instrumento, ao ser puxada, emite uma nota diferente, e que a matemática da música poderia explicar a diversidade das coisas ao nosso redor. Em um salto de 2 mil anos, hoje sabe-se que o átomo não é a menor partícula da matéria, e dentro dele existem prótons e nêutrons que, por sua vez, são formados por quarks, no caso do prótonos, e léptons, no caso dos nêutrons. O que os teóricos da Teoria das Cordas sugerem é que, ainda menor que quarks e léptons, seria as cordas, que funcionariam essencialmente como em um instrumento.

Pitágoras

Pitágoras se valeu de suas teorias matemáticas musicais para buscar compreender o universo © Wikimedia Commons

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Assim, em tal teoria, segundo a reportagem, cada vibração diferente torna as cordas em um “estado” diferente – feito fossem notas diversas em um instrumento. “Se ela vibra de uma forma, a chamamos de elétron. Se vibra de outra maneira, chamamos de neutrino. E, se ela vibra de uma outra forma, a chamamos de quark. Mas é o mesmo ‘elástico'”, diz o físico Michio Kaku para a BBC. Assim, a Teoria das Cordas seria capaz de unificar em sua aplicação os mais variados fenômenos, desde colisões de átomos até colisões de estrelas, aplicando-se, portanto, na esfera quântica e na esfera dos grandes corpos – “regendo” o universo feito fosse de fato uma imensa orquestra, com cada corda de cada instrumento vibrando de um jeito a formar as partículas.

O físico estadunidense Michio Kaku

O físico estadunidense Michio Kaku © Wikimedia Commons

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“Acredito que algo que a gente deveria entender”, diz ele, “é que a física em seu nível fundamental fica mais e mais simples, mas também mais poderosa, quanto mais profundo nós vamos”, diz Kaku. “O Universo é mais simples do que pensávamos.” A própria reportagem lembra, no entanto, que a Teoria das Cordas é ainda uma hipótese, aberta, em estudo, e ainda sem comprovação ou conclusão, sobre algo que ainda não pode ser cientificamente demonstrado. Quem, porém, acredita – como um dia Albert Einstein acreditou – que é possível chegar a uma grande teoria unificadora, enxerga nas Cordas uma excelente hipótese, feito fosse música aos ouvidos de tais cientistas. A reportagem da BBC News Brasil pode ser lida aqui.

Cordas de um violão

A vibração das cordas de um instrumento é a analogia para as cordas da teoria © Flickr

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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