Tecnologia

Videogames inspiraram geração de músicos que elevaram o ofício a outro patamar

Redação Hypeness - 17/11/2021 | Atualizada em - 22/11/2021

O nome de Yoko Shimomura é um dos principais quando o assunto é música clássica e videogame. Formada em 1988 pela Osaka College of Music, no Japão, a compositora cresceu em uma família de pianistas que desde a primeira infância a ensinou o que podia sobre o gênero orquestral. Ao mesmo tempo, Shimomura era aficcionada por videogames, em especial “Super Mario Bros”. 

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Da relação próxima com o videogame veio a vontade de dedicar sua vida a isso — algo que não foi muito bem visto no começo pelos seus pais. 

Com uma carreira de sucesso à frente de trilhas históricas dos games (“Final Fantasy XV”, “Kingdom Hearts”, “Mario & Luigi”, e por aí vai), Shimomura é compositora da sinfonia “Merregnon: Land of Silence“, projeto criado para apresentar música clássica para o público infanto-juvenil e suas famílias usando os games como pano de fundo.

“Merregnon: Land of Silence” é interpretada pela Orquestra Filarmônica Real de Estocolmo, da Suécia, e a história é contada por meio de imagens — que lembram o estilo do Studio Ghibli — com um roteiro escrito pela autora alemã Frauke Angel.

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A trilha sonora dos videogames agora é uma parte importante da sociedade e da vida diária de tantas pessoas ao redor do mundo. Se há alguma utilidade para nós, como orquestra sinfônica, compartilhar a experiência do que fazemos em nossas casas – nossas salas de concerto clássicas – e mostrar às pessoas o que pode ser feito com esses belos instrumentos com centenas de anos de tradição, acho que é isso grande valor para novos públicos”, avalia Stefan Forsberg, diretor executivo da orquestra sueca, à “Wired”. 

Uma pesquisa do jornal americano “New York Times” revela que cerca de 62% do público dos concertos da Filarmônica de Nova York tem 55 anos ou mais. 

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Thomas Bocker, produtor do espetáculo, é um dos nomes mais vocais quando o assunto é levar o videogame aos palcos clássicos. Nos anos 2000, ele organizou um álbum de música clássica que contasse uma história. Foi o primeiro álbum do “Merregnon”. O sucesso acabou se transformando em um concerto, o primeiro de videogame fora do Japão. De lá para cá, já se perdeu a conta de quantos aconteceram. 

A idade média [em concertos clássicos tradicionais] às vezes pode ser 60 ou 70 ou mais, dependendo da orquestra, e isso é ótimo – não quero tirar a música dessas pessoas – mas é claro que seria bom ter uma faixa mais ampla de faixas etárias, e shows como Merregnon são muito úteis para isso”, explica.

Quando tinha 7 ou 8 anos, Bocker foi apresentado a um computador Commodore 64 que o pai trouxe para a então Alemanha Oriental de uma visita à avó de Bocker do lado ocidental do muro. Com ele, o produtor teve seu primeiro contato com a música de videogames. 

Ele conta que sempre achou as trilhas dos jogos fantásticas e não as diminuía como um subgênero clássico ou algo do tipo. “Sempre me interessei por música eletrônica e orquestral e tudo isso de alguma forma se conectou“, diz. 

Os nomes vindos do videogame para o clássico “tradicional” são muitos. Ano passado, a irlandesa Eimear Noone foi a primeira mulher a reger a orquestra do Oscar. A origem de seu trabalho é nos jogos. Noone ganhou uma série de prêmios por suas obras em “World of Warcraft: Warlords of Draenor“.

É muito empolgante para mim, como músico de orquestra, ver quantas pessoas experimentam a música clássica através de seus consoles de videogame. Tive o privilégio de conhecer literalmente dezenas de milhares de fãs de videogame pessoalmente, e as pessoas me dizem sempre: ‘Minha música favorita é do World of Warcraft’, e eu perguntei: ‘Isso significa que sua banda favorita é uma orquestra?’. E eles respondem que ‘sim, talvez’.

 

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Fotos: Royal Stockholm Philharmonic Orchestra/Divulgação


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