Diversidade

Aborto vitimou (de goleada) mais mulheres negras do que brancas entre 2020/21, diz pesquisa

07 • 12 • 2021 às 11:24
Atualizada em 07 • 12 • 2021 às 11:24
Yuri Ferreira
Yuri Ferreira   Redator É jornalista paulistano e quase-cientista social. É formado pela Escola de Jornalismo da Énois e conclui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Já publicou em veículos como The Guardian, The Intercept, UOL, Vice, Carta e hoje atua como redator aqui no Hypeness desde o ano de 2019. Também atua como produtor cultural, estuda programação e tem três gatos.

O relatório Mulheres Negras e Justiça Reprodutiva, produzido pela ONG Criola, mostrou em entre 2020 e 2021, as mulheres negras foram muito mais vitimadas pelo aborto.

Segundo a pesquisa, que abordou temas como insegurança alimentar, emprego, violência sexual, entre outros, 45,21% das mortes por aborto no período foram de mulheres negras em comparação com 17,81% de mulheres brancas.

Pesquisa reforça ideia de que aborto ilegal tem efeitos principais nas mulheres negras brasileiras

Aborto e racismo 

Ao analisar os Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCAs) e Direitos Sexuais e Reprodutivos (DSDR), a ONG utilizou dados abertos do próprio governo para entender qual era o panorama de vida (e de morte) das mulheres negras no período que vai de março de 2020 a março de 2021.

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Além dos dados sobre mortalidade de aborto, a pesquisa também mostrou que a mortalidade materna, ou seja, a morte entre o dia do parto e os próximos 42 dias de puerpério, foi maior em mulheres negras. Em vários outros temas, como violência sexual e abandono escolar, o racismo se escancara como forma estruturante da sociedade brasileira.

A política de proibição do aborto é racista

“Os índices apresentam que essas mulheres têm a vida atravessada pela fome e insegurança alimentar, falta de saneamento, trabalho e renda. Além disso, têm acesso precário à saúde e educação e estão mais expostas às violências e à violação de direitos por parte do Estado. É nesse contexto que as mulheres exercem suas escolhas no campo da reprodução. Por isso, justiça reprodutiva significa pensarmos os direitos reprodutivos relacionados à justiça social”, destaca Lúcia Xavier, coordenadora geral de Criola.

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Os dados evidenciam como a política de proibição do aborto é racista. “Quantas mulheres ainda precisarão morrer, em espaços de aborto clandestino, para afirmarem a sua autodeterminação reprodutiva? Quantas mulheres pretas e pobres? Quantas meninas pretas e pobres serão condenadas pela naturalização da violência sexual contra seus corpos, e depois culpabilizadas pela hipócrita sanha andro-falo-cristocêntrica, simplesmente por exercerem seu tão negado direito reprodutivo que, nesse caso, coincide com o seu próprio direito à vida?”, dizem os juristas André Nicolitt, Charlene da Silva Borges, Lívia Sant’Anna Vaz e Saulo Mattos em artigo ao Conjur.

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Fotos: © Getty Images


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