Ciência

Aranhas podem voar centenas de quilômetros usando as teias e a eletricidade da Terra

Vitor Paiva - 13/12/2021

Se a ideia de aranhas capazes de voar centenas de quilômetros parece ao leitor a trama para um filme de terror ruim ou a premissa de um pesadelo pela madrugada, saiba que essa é a mais pura realidade: algumas espécies de aranha são capazes de “decolar” em alta velocidade e percorrer grandes distâncias simplesmente voando. Para isso, os animais utilizam um dos mais resistentes materiais de toda natureza: suas próprias teias, que são precisamente lançadas ao vento como o tecido de um balão.

Uma aranha "medindo" as condições de voo com duas patas

Uma aranha “medindo” as condições de voo com duas patas

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Não é por acaso, portanto, que tal técnica aracnídea é conhecida como balonismo. A capacidade é conhecida desde o século XVII, e até mesmo Charles Darwin escreveu sobre o voo das aranhas, ao perceber, em 1832, que seu barco HMS Beagle estava subitamente infestado desses pequenos animais, com as cordas cobertas de teias, apesar de estar a milhas e milhas da costa. A habilidade é utilizada pelas aranhas para fugir de predadores ou competidores, mas também para encontrar novos territórios e alimentos – como o barco de um jovem naturalista em pleno século XIX.

A teia sendo lançada para a aranha enfim decolar

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Apesar do fenômeno ser notado há três séculos, somente em 2018 o balonismo das aranhas foi devidamente registrado – em detalhe e vídeo, por cientistas da Universidade Técnica de Berlim. O experimento foi realizado ao ar livre e dentro de um túnel de vento controlado, e utilizou aranhas-caranguejo do gênero Xysticus, que medem apenas 4 mm a 10 mm, e são capazes de alcançar espantosos 4 mil metros de altura durante seus voos. Trata-se, porém, de uma técnica apurada: para “decolarem”, as aranhas primeiro levantam duas patas para testar o vento. As condições precisam estar adequadas, com brisa quente e suave, para que o voo seja perfeito.

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Quando encontram a situação adequada, as aranhas então levantam seu abdômen e soltam cerca de 60 fios de seda que formam o balão, ou como uma vela de um barco, para enfim saírem voando. A viagem, porém, não seria explicada somente pelo vento contra a teia, já que a brisa ideal é suave: pesquisas posteriores sugerem que os animais sentem o campo elétrico da Terra – uma voltagem de mais de 100 volts por metro sobre o solo em um dia de sol – e voam por repulsão eletroestática, de certa forma impulsionadas por esse campo elétrico do planeta. Essa é uma ideia que busca explicar os voos das aranhas desde o século XIX, mas que cada vez mais ganha confirmação científica.

O voo de uma aranha, quadro a quadro

O voo de uma aranha, quadro a quadro

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© fotos: YouTube/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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