Ciência

Astrocolonialismo: como as big techs estão roubando o céu da humanidade

Vitor Paiva - 17/12/2021 | Atualizada em - 06/01/2022

Se a Terra já é dos homens mais ricos do mundo, empresários como Elon Musk e Jeff Bezos agora estão de olho nos céus – literalmente: a disputa pelo espaço dos satélites e principalmente o oferecimento de internet em todos os cantos do planeta tornará o espaço e, assim, o céu em local de intensa disputa econômica e mesmo física.

Os planos vislumbram o lançamento de dezenas de milhares de satélites nos próximos anos, em cenário que irá alterar para sempre a aparência da configuração de luzes e estrelas que espantam os céus das nossas melhores noites.

estrelas no céu

Em breve, um de cada quinze pontos de luz no céu será artificial

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Os planos das chamadas big techs, grandes empresas de tecnologia atuais como SpaceX, Amazon, OneWeb e StarNet são de enviar mais de 65 mil satélites nos próximos anos, a fim de que não reste nenhum canto da Terra, do Pólo Norte ao Sul e ao longo de toda a linha do Equador, sem acesso à internet – em processo que vem sendo chamado pelos críticos como “Astrocolonialismo”.

Um estudo em simulação realizada por astrofísicos canadenses, no entanto, confirma que tal projeção irá alterar de forma incontornável os céus do planeta: em um futuro próximo, de acordo com o estudo, uma de cada quinze luzes que enxergaremos em uma noite sem nuvens será artificial.

A NASA teme por acidentes envolvendo satélites na órbita da Terra

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“Não há maneira de se ter dezenas de milhares de satélites na órbita baixa da Terra sem que tenhamos consequências na astronomia”, afirma o estudo, que ainda olha para o quadro com traços de otimismo.

“Com forte cooperação internacional e regulação apropriada do número de satélites e da capacidade de refletir luz dos satélites, podemos talvez firmar um compromisso que permita que muitas pesquisas astronômicas e a própria observação a olho nu dos céus sigam somente com pequenas perdas”, diz o texto. O quadro, no entanto, parece mais grave do que a esperançosa sugestão dos cientistas canadenses.

Elon Musk

A SpaceX, de Elon Musk, já lançou mais de mil satélites ao espaço

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Em suma, o céu que vemos hoje simplesmente deixará de existir. Apesar do investimento no desenvolvimento de satélites que provoquem reflexos menos intensos e menor interferência na observação estelar, especialistas sugerem que, em um futuro próximo, será mesmo difícil de distinguir estrelas de fato entre luzes artificiais nos céus.

E pior: muitos dos milhares de satélites que serão enviados nos próximos anos possuem uma vida útil curta, e se tornarão meros lixos espaciais em questão de anos, podendo até mesmo causar impactos sobre a camada de ozônio e até meso sobre as mudanças climáticas na Terra.

satélite da SpaceX

A estimativa é que mais de 65 mil satélites sejam lançados ao espaço nos próximos anos

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© fotos 1, 4: Pixabay

© foto 2: NASA

© foto 3: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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