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Pela 1ª vez, câmera na farda grava PM matando pessoa desarmada em SP

03 • 12 • 2021 às 15:41
Atualizada em 03 • 12 • 2021 às 15:52
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo registrou o 1º caso em que a PM paulista mata uma pessoa desarmada em uma abordagem. A filmagem foi feira por meio de uma ‘câmera grava-tudo’, instalada com o intuito de oferecer mais transparência na tentativa de diminuir os casos de abusos e letalidade policial.

De acordo com o órgão da corporação, os policiais que executaram um jovem desarmado mentiram em suas versões oficiais e tentaram fraudar as imagens da operação.

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PMs mentiram em depoimento

No dia 9 de setembro de 2021, o Batalhão de Operações Especiais (BAEP) começou a perseguir um carro na cidade de São José dos Campos, no interior paulista. Os ocupantes do veículo eram suspeitos de ter roubado um supermercado na região. Os policiais mataram um jovem e atiraram em outro, que sobreviveu porque usava um colete à prova de balas.

PMs executaram jovem desarmado e atiraram em outro que sobreviveu porque usava colete à prova de balas

Na versão dos policiais envolvidos na operação, um dos ocupantes do veículo saiu correndo do carro e o outro saiu apontando a arma para os PMs, que atiraram em ambos.

Após pedido da corregedoria, as câmeras registram que um jovem foi alvejado enquanto estava desarmado e com a mão na cabeça. Vinícius David de Souza Castro Gomes foi morto pelos policiais.

O outro jovem, Douglas, cujo nome completo não foi revelado, portava uma arma, mas a largou logo que os policiais apareceram e rapidamente se rendeu. Ainda assim, os policias atiraram nele. Por estar com um colete à prova de balas, or rapaz sobreviveu.

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Segundo a corregedoria, existem fortes provas de que os PMs mentiram. Agora, oito policiais tiveram pedidos de prisão preventiva solicitados pela Corregedoria por homicídio doloso (quando há a intenção de matar), fraude processual, prevaricação e falsidade ideológica.

“Foi o primeiro caso, com indícios de fraude processual, de homicídio doloso. Foi o primeiro caso com documentos visuais da ação policial militar que contradizem [o que] os policiais disseram”, afirma o tenente-coronel Gilson Luiz da Costa, chefe do departamento de operações da Corregedoria, à Folha de São Paulo.

“A imagem 8, a mais contundente, ilustra o momento em que o civil Vinícius [Gomes] desembarca do veículo GM/Corsa com as duas mãos na cabeça, rendido, desarmado, sendo que, neste instante, o sargento Inácio dá início aos disparos”, completa.

Câmera ‘grava-tudo’ reduz violência policial

A Polícia Militar do Estado de São Paulo passou a adotar as câmeras grava-tudo, que gravam o turno do policial, no primeiro semestre. Atualmente, a corporação conta mais de 3.000 câmeras, usadas por PMs de 18 batalhões ao redor de todo o estado.

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No segundo mês de uso, as mortes causadas pela Polícia Militar foram reduzidas em 40%. A Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA), considerada uma das divisões mais violentas da PM, zerou o número de mortes durante duas semanas de 2021 por conta das câmeras.

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