Ciência

Clitóris: o que é, onde fica e como funciona

15 • 12 • 2021 às 10:10
Atualizada em 20 • 12 • 2021 às 10:43
Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Apesar de ser o único órgão do corpo humano voltado apenas para o prazer sexual, o clitóris ainda é cercado por muito desconhecimento e desinformação. Você sabia, por exemplo, que ele é formado por um número de fibras nervosas maior do que o de qualquer outra parte física do ser humano?

Seja qual for a resposta para essa pergunta, mas principalmente se ela for “não”, que tal conhecer um pouco mais sobre o clitóris e seu funcionamento?

Animação explica de forma simples e divertida o único órgão humano dedicado ao prazer: o clitóris

O que é clitóris?

Clitóris é o órgão que corresponde à zona erógena de maior sensibilidade das pessoas que nasceram com vulva. Presente em todos os mamíferos biologicamente femininos e em outras subclasses de animais, é uma complexa estrutura que concentra mais de 8000 terminações nervosas, o dobro da quantidade encontrada no pênis. Por isso, o propósito exclusivo dessa pequena parte do corpo é gerar prazer.

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Tanto o clitóris quanto o pênis são formados a partir dos mesmos tecidos embrionários, por isso ambos têm tantas semelhanças e são considerados órgãos homólogos. É apenas na sexta ou sétima semana de desenvolvimento dentro do útero que o feto passa a manifestar seus cromossomos sexuais. Os embriões de cromossomo XY que liberam testosterona formam um pênis, enquanto os de cromossomo XX sem esse hormônio formam um clitóris.

Uma pesquisa realizada pelo médico britânico Roy Levin afirma que a estimulação do clitóris também pode facilitar a fecundação. De acordo com o cientista, a atividade sexual eleva o fluxo sanguíneo vaginal, o que diminui as dores da penetração, intensifica a lubrificação e aumenta a temperatura e os níveis de oxigênio da vagina. Com tudo isso, o colo do útero se movimenta e a fertilização do óvulo é favorecida. 

Esse estudo gerou algumas controvérsias, fazendo com que os pesquisadores da área não conseguissem chegar a um consenso e preferindo aguardar por novas investigações. Mas, se existe uma certeza sobre os efeitos da estimulação do clitóris, é a de que ela amplia os níveis de estrogênio, testosterona e outros hormônios, melhorando a qualidade e a saúde da pele.

Ao contrário de alguns órgãos, o clitóris não acompanha o crescimento de outras partes do corpo. Enquanto algumas delas param, ele continua se desenvolvendo, principalmente durante a puberdade e a menopausa. A notícia boa é que ele nunca envelhece: o potencial de produzir e sentir orgasmos continua o mesmo, independentemente da idade.

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Onde fica o clitóris?

O clitóris está localizado na abertura superior da vagina, na região anterior à uretra, onde os pequenos lábios se unem, cobrindo ele. É por esse motivo que o órgão costuma “passar despercebido”, além de ser protegido por um tecido que se assemelha ao prepúcio do pênis.

Ilustração da anatomia de uma vulva. Repare como o clitóris está localizado logo acima da uretra.

Mas engana-se quem pensa que o clitóris se resume a esse pequeno “botãozinho” externo. Essa é apenas a ponta do iceberg. De acordo com a estrutura corporal da pessoa, o órgão pode ser de vários tamanhos e formatos diferentes. A parte visível dele se chama glande e mede em torno de 0,5 cm, podendo chegar a 2 cm quando fica entumecida, ereta. 

Animação explica de forma simples e divertida o único órgão humano dedicado ao prazer: o clitóris

O resto do clitóris se estende sob a pele, para cada lado da vulva, formando um Y de cabeça pra baixo. Seu tronco central é composto por duas colunas, os corpos cavernosos, que se posicionam em direção à cavidade púbica. Nas extremidades se encontram os crus clitóris ou raízes, envolvendo a uretra e a vagina. Do lado de cada uma das raízes ficam os bulbos do clitóris, localizados atrás das paredes vaginais. Dessa forma, partindo do princípio que a parede vaginal nada mais é do que o clitóris, o chamado “orgasmo interno” também é um orgasmo clitoriano, já que acontece quando essa parede é estimulada.

Ilustração da anatomia de um clitóris. “Glans Clitoris” é a glande, “Corpus Cavernosum” são os corpos cavernosos e “Bulb of vestibule”, os bulbos do clitóris.

O complexo clitoriano mede aproximadamente 10 cm ao todo. É importante lembrar que tanto os corpos cavernosos quanto os crus clitóris e os bulbos do clitóris são formados de tecido erétil, o responsável pela possibilidade do órgão sofrer uma ereção. 

Apesar de ser citado em estudos anatômicos desde o século II a.C., o clitóris ainda é bastante negligenciado como objeto de pesquisa. A primeira tomografia desse órgão enquanto estava entumecido aconteceu apenas em 1998, mesmo ano em que a urologista australiana Helen O’Connell realizou uma investigação completa sobre a anatomia dele.

Por que o clitóris ainda é cercado de tanta ignorância?

A quantidade insuficiente de informação sobre o clitóris é explicada por razões sociais e políticas reproduzidas ao longo da história. No século XVI, o médico Andreas Vesalius afirmou que mulheres saudáveis não tinham esse órgão. Em 1486, segundo o guia “Malleus Maleficarum”, a presença do clitóris em uma mulher significava que ela era uma bruxa e deveria ser caçada. Em 1800, pacientes diagnosticadas com “histeria” tinham seus clitóris removidos. Já em 1905 Freud acreditava que o prazer clitoriano vinha de uma sexualidade imatura.

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Toda essa ignorância a respeito do funcionamento e da anatomia do clitóris se espalhou pelo tempo e encontra espaço até hoje graças à sociedade patriarcal em que vivemos. A misoginia enraizada espera que as mulheres sejam dóceis, submissas, delicadas, sempre prontas para servir e reproduzir. Por isso, o prazer delas é visto como uma ameaça ao sistema, uma parte da realidade que precisa ser reprimida. Afinal, o conhecimento inspira a busca por liberdade.

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