Sustentabilidade

Conheça Txai Suruí, a jovem indígena ativista pelo clima que discursou na COP26

Roanna Azevedo - 21/12/2021 | Atualizada em - 07/01/2022

À medida que o tempo passa e as questões econômicas e sociopolíticas permanecem as mesmas, novos representantes surgem na tentativa de suprir essas demandas. É esse o caso de Txai Suruí, jovem indígena que aos 24 anos de idade foi encarregada de abrir a Conferência Climática da ONU em 2021. Comprometida com a causa climática e a luta pela proteção das terras e da vida dos povos originários do Brasil, ela vem se tornando uma das vozes mais importantes da atual geração de ativistas.

Que tal conhecer um pouco mais sobre a história e o trabalho de Txai Suruí?

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Quem é Txai Suruí?

Filha de ativistas, Txai Suruí decidiu seguir o caminho dos pais.

 

Txai Suruí foi criada na reserva 7 de Setembro, uma região ameaçada pelo garimpo ilegal em Rondônia. Filha do cacique e militante pelos direitos dos indígenas Almir Suruí e da indigenista Ivaneide Bandeira, ela se acostumou a participar de protestos e ocupações nas florestas desde muito pequena. 

É a primeira de seu povo, o paiter suruí, a entrar para a faculdade de direito. Atualmente, a jovem está no último semestre do curso e já atua no setor jurídico da Associação de Defesa Etnoambiental.

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Seguindo os passos dos pais no ativismo, Txai fundou o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia no início de 2021. Até novembro do mesmo ano, o grupo já conta com pelo menos 1,7 mil filiados. Nas redes sociais, a jovem estende seu trabalho, denunciando ameaças sofridas pelos povos originários do estado onde vive.

Greta Thunberg e Txai Suruí durante protesto contra as mudanças climáticas. Suécia, 2021.

A luta como ativista climática começou apenas em 2019, depois que Txai foi chamada pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) para participar da COP25. Na ocasião, ela precisava falar com outros jovens sobre a emergência climática e o papel das lideranças originárias nessa questão. Como ainda não tinha propriedade suficiente para lidar com o tema, resolveu se aprofundar nele.

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Desde então, Txai argumenta que a solução para a crise climática se encontra no conhecimento dos povos indígenas. O motivo? Eles sabem melhor do que ninguém conviverem em equilíbrio com a natureza, respeitando seus limites e suas características. Afinal, é de iniciativas sustentáveis que o mundo precisa para enfrentar as consequências das mudanças climáticas e impedir que elas aconteçam.

Txai Suruí na COP26

Após seu discurso na COP26, Txai foi criticada por Bolsonaro e recebeu uma enxurrada de mensagens de ódio.

2021 foi mesmo um ano bastante significativo para Txai. Ela foi convidada para discursar na abertura da COP26, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, que aconteceu em Glasgow, na Escócia. Em meio aos líderes de diversos países, a jovem falou em seu depoimento sobre a importância da participação de indígenas na tomada de decisões da cúpula do clima.

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Txai também fez questão de lembrar o assassinato de Ari Uru-Eu-Wau-Wau, sem solução ou ao menos qualquer suspeita sobre o culpado do crime. Morto em 2020, o indígena de 34 anos fazia parte do grupo de vigilância de seu povo e denunciava a extração ilegal de madeira na Floresta Amazônica.

Não demorou muito para que o discurso de Txai atraísse críticas de Jair Bolsonaro. O presidente, que não compareceu a COP26, não citou nomes, mas declarou que ela foi à conferência apenas para “atacar o Brasil”. Esse pronunciamento acabou incentivando que mensagens de ódio carregadas de racismo e misoginia fossem deixadas nas redes sociais da jovem ativista.

Mas Txai não permite que fake news e comentários depreciativos descredibilizem seu trabalho. O discurso que fez na COP26 expôs a realidade dos povos originários do Brasil e mostrou a importância de todos se engajarem na luta pelos direitos dos indígenas.

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Fotos 1, 2 e 3: Acervo pessoal/Txai Suruí


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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