Inspiração

Conheça Vanessa Nakate, a ativista ambiental de Uganda que foi destaque na ONU

21 • 12 • 2021 às 09:51
Atualizada em 06 • 01 • 2022 às 08:58
Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Discursando nas principais marchas da COP26, a Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, em Glasgow, a ativista climática Vanessa Nakate foi o grande destaque da convenção. E isso aconteceu quase dois anos depois de ganhar  projeção internacional após passar por uma situação racista. Na edição anterior da COP, a jovem de 25 anos foi excluída de uma fotografia tirada pela agência Associated Press. Na imagem, ela aparecia originalmente ao lado de quatro ativistas brancas, dentre elas a sueca Greta Thunberg.

Em razão da relevância cada vez maior de Nakate, reunimos abaixo tudo o que você precisa saber para conhecer melhor a ativista e o seu trabalho.

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Quem é Vanessa Nakate?

Vanessa Nakate se interessou pelo ativismo ambiental em 2018.

Vanessa Nakate nasceu na cidade de Kampala, capital da Uganda, em uma família de classe média. Filha de um político e empresário e dona de uma personalidade conciliadora, ela se interessou pelo ativismo em 2018, quando seu país sofreu com diversas enchentes após um período de seca profunda. As inundações causaram muita destruição em todo o território ugandense, aumentando os níveis de fome e miséria e afetando a saúde da população.

Assim, aos 21 anos, Nakate se uniu aos primos e irmãos e organizou uma série de protestos climáticos em Kampala. Juntos, eles confeccionaram cartazes que diziam “Natureza é vida” e “Ao plantar uma árvore, você planta uma floresta”. Um ano depois, em 2019, a jovem se formou em administração e marketing pela Makerere University Business School e deu continuidade ao trabalho como ativista: protestou sozinha na frente do Parlamento de Uganda e criou um pedido de mobilização pelas florestas tropicais online.

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Nakate é uma das principais vozes na linha de frente das mudanças climáticas.

Em pouco tempo, seus esforços pelo clima começaram a se popularizar entre os jovens, tanto de Uganda quanto fora do país. Com tanto apoio, ela logo conseguiu fundar a Juventude para a África Futura, um centro de ativismo para jovens, o One Million Activist Stories, responsável por documentar protestos e experiências desses jovens ativistas, e o Movimento Rise Up, que arca com a instalação de painéis solares em escolas de regiões precárias do país africano.

Nakate também levou o movimento Fridays for Future, criado pela ativista Greta Thunberg, para Uganda. Em 2019, foi uma das ativistas do clima convidadas a palestrar na COP25, a edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas que aconteceu em Madri, Espanha.

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O reconhecimento mundial de Nakate

Se o trabalho de Nakate tem ganhado destaque rapidamente nos últimos anos, foi em janeiro de 2020 que ele se tornou ainda mais reconhecido em escala mundial, graças a um incidente infeliz. 

Durante o WEF, Fórum Econômico Mundial, do qual participava em Davos, foi fotografada junto de outras ativistas do clima, todas brancas: Greta Thunberg, Luisa Neubauer, Loukina Tille e Isabelle Axelsson. Para distribuir a imagem aos clientes, a agência Associated Press cortou Nakate, deixando apenas as quatro europeias na foto.

Vanessa Nakate, Luisa Neubauer, Greta Thunberg, Isabelle Axelsson e Loukina Tille na COP25, em Davos. Nakate foi cortada da foto pela Associated Press.

A jovem ugandense protestou contra o acontecido e deixou claro o que pensava sobre ele em suas redes sociais: “Você não apagou apenas uma foto, você apagou um continente, mas estou mais forte do que nunca.” A situação gerou um debate sobre racismo, também denunciado na situação por outros ativistas e organizações não governamentais. Pressionada a se posicionar, a Associated Press decidiu distribuir a versão integral da foto para seus clientes.

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A repercussão do caso transformou Nakate em uma jovem ativista de grande visibilidade. O número de convites para participar de palestras e eventos cresceu. Em 2021, ela foi eleita uma das 100 mulheres do ano pela BBC, uma das 100 jovens africanas mais influentes e membro do Jovens Líderes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. 

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Nakate também foi capa da revista americana TIME e publicou seu primeiro livro, “A Bigger Picture”. Elogiada por Malala Yousafzai, a obra aborda a realidade dos países do Sul Global, que sofrem constantemente com o desmatamento, a extinção de espécies e outros desastres para o meio ambiente, e defende o direito universal de protestar por um mundo mais sustentável.

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Foto 1: DeLovie Kwagala

Foto 2: Rotary Club

Foto 3: Markus Schreiber/Associated Press

Foto 4: Mustafah Abdulaziz/Revista TIME


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