Ciência

Criadora da AstraZeneca diz que ‘não será a última vez que um vírus ameaça nossas vidas’ e que próxima pandemia pode ser pior

09 • 12 • 2021 às 10:15
Atualizada em 13 • 12 • 2021 às 11:17
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A pandemia da Covid-19 não será a última a ameaçar a humanidade, e um próximo vírus a se espalhar pelo mundo pode ser ainda mais letal. O alarme de Sarah Gilbert, cientista da Universidade de Oxford e uma das criadoras da vacina AstraZeneca, em entrevista recente para a BBC, foi dado não para assustar a população, mas sim para reiterar a importância de maiores investimentos em pesquisas e no desenvolvimento científico, para que a experiência adquirida pela humanidade durante a pandemia atual não seja desperdiçada, e sirva como conhecimento para melhor enfrentarmos uma próxima situação semelhante eventual.

Sarah Gilbert, cientista da Universidade de Oxford

Sarah Gilbert, cientista da Universidade de Oxford

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“Esta não será a última vez que um vírus ameaça nossas vidas e meios de subsistência”, afirmou a cientista. Gilbert é professora de vacinologia na Universidade de Oxford, onde a AstraZeneca, atualmente sendo aplicada em mais de 170 países, foi desenvolvida. “Não podemos permitir que tenhamos enfrentado a situação que enfrentamos, para depois afirmarmos que as enormes perdas econômicas que vivenciamos impedem que se invista em preparação pandêmica”, disse. Para a cientista, o investimento em pesquisas e preparações para uma próxima pandemia é tão essencial quanto qualquer outro orçamento na defesa de uma nação ou do planeta.

AstraZeneca

Gilbert trabalhou no desenvolvimento da AstraZeneca

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“Da mesma forma que investimos em forças armadas, inteligência e diplomacia para nos defendermos em guerras, precisamos investir em especialistas, pesquisa, fabricação e nas instituições que nos defendam das pandemias”, afirma Gilbert. A rapidez relativa com que algumas instituições puderam desenvolver as primeiras vacinas contra a Covid-19 tem, segundo a cientista, que servir de modelo para o futuro, lembrando que a atual pandemia do coronavírus ainda não acabou, mas que tais conhecimentos também se aplicam, por exemplo, à variante ômicron.

homem em aeroporto indo testar a Covid-19

Uso de máscaras e testagem em aeroportos, por exemplo, é medida fundamental atual para controlar a nova variante

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A cientista lembrou que ainda é cedo para realmente mensurar o impacto da nova variante, mas reiterou que, mesmo que os casos da doença aumentem e que uma nova onda da Covid-19 seja enfrentada pelo mundo, isso não quer dizer que as vacinas perdem seu efeito contra o vírus, nem que o número de casos graves ou mortes acompanhará o crescimento. “Até sabermos mais, precisamos ser cautelosos, e tomarmos medidas para desacelerar a propagação da nova variante”, afirmou.

homem sendo vacinado contra Covid-19

A vacinação é o que melhor combate os casos graves e fatais

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