Sustentabilidade

Desigualdade e crise climática: o que está causando a tragédia no sul da Bahia e como ajudar

Redação Hypeness - 27/12/2021 | Atualizada em - 29/12/2021

Nessa semana, as chuvas intensas no sul da Bahia continuaram a fazer vítimas ao redor do estado. Duas barragens se romperam por conta das tempestades e dezenas de cidades seguem completamente alagadas. Além disso, as operações de resgate e auxilio têm sido extremamente complexas e demoradas por conta de inundações em estradas e pela continuidade das chuvas na região.

Imagens aéreas mostram cidades completamente alagadas

Até o momento de publicação desta reportagem, a morte de 18 pessoas foi atribuída às chuvas. São mais de 400 mil pessoas afetadas pelas tempestades e 4 mil pessoas perderam suas casas durante a tragédia.

As consequências e motivações para essa tragédia humanitária são diversas e, nessa reportagem, procuramos entender o que realmente está acontecendo no Sul da Bahia.

Desastre evidencia desigualdades

Desde o Natal, duas barragens de água se romperam no estado. Uma em Jussiape, na Chapada da Diamantina, e outra em Iguá, um distrito de Vitória da Conquista. Ambas as barragens represavam riachos e córregos menores que desembocam em importantes rios da região, como o Pardo e o de Contas. Além da água das barragens, o nível dos rios está subindo por conta da própria precipitação que está ocorrendo.

A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (DEM-BA), disse que as pessoas que moram nas proximidades do córrego onde a barragem estava localizada foram resgatadas.

Rompimento de barragem na Chapada da Diamantina mostram tragédia sem precedentes

“Tiramos todas as pessoas que estavam próximas desse córrego, então todas as medidas foram tomadas e estamos prontos para dar toda a assistência aos moradores. Agora é torcer realmente para que não quebre a estrada e não precise interditar a 116”, disse Sheila Lemos.

A subida dos rios torna a situação extremamente arriscada para a população ribeirinha no sul do Estado e para outras comunidades que vivem ao redor dos rios, como os pescadores. Indígenas e quilombolas também estão sendo afetados. Até o momento, são 19 cidades completamente inundadas pelas chuvas.

– ‘Prosa’ traz o racismo para o debate das questões ambientais e de mudanças climáticas 

Estradas que conectam as cidades e fariam com que o acesso a hospitais para feridos fosse realizado estão completamente alagadas.

“A prioridade é tirar as pessoas de áreas de risco, mas, infelizmente, as condições do tempo estão limitando as ações aéreas”, explicou o governador do estado, Rui Costa. Ainda que a chuva não distingua regiões ricas de regiões pobres, é evidente que os habitantes de “áreas de risco” são os que mais perdem nesse momento.

A região, ao mesmo tempo supervalorizada pelas praias paradisíacas onde famosos como Gabriela Pugliesi e Neymar passam férias, sofre com intensa desigualdade onde povos indígenas, ribeirinhos e pescadores são duramente afetados pela falta de infraestrutura, que se torna mais clara e evidente nesse tipo de momento.

Por que está chovendo na Bahia?

As chuvas fortes na Bahia haviam começado por volta do dia 7 de dezembro e deram uma breve trégua entre as semanas do dia 12 e 19, mas voltaram com intensidade ainda maior nos últimos dias. Mas como é possível explicar através da ciência as chuvas mais intensas registradas na região nas últimas duas décadas?

Imagens mostram formação de ciclone extratropical na costa brasileira

No início do mês, o que motivou as chuvas foi um ciclone extratropical. Por conta de uma mudança de temperatura no Oceano Atlântico, ocorreu uma “depressão subtropical”. Esse fenômeno intensificou as chuvas comuns nessa época do ano, que se originam na Amazônia e descem em um corredor para o Nordeste e o Sudeste, na chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul.

“As mudanças na circulação geral da atmosfera sugerem para nós que o oceano mais quente na costa do Brasil poderia formar com mais frequência áreas de baixa pressão como essa, levando à depressão subtropical”, explica para a BBC o pesquisador Francisco Eliseu Aquino, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “A combinação desses dois acontecimentos, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e a área de baixa pressão, é o que intensificou a chuva nas regiões leste e sul da Bahia ao longo dos últimos quatro ou cinco dias”, completa.

Isso gerou um chamado ciclone extratropical, entretanto, o que tem motivado as novas chuvas é o fenômeno La Niña. Giuliano Carlos do Nascimento, meteorologista da Defesa Civil de Salvador (Codesal), explicou ao jornal Correio que o La Niña – que altera a pressão atmosférica e costuma intensificar eventos meteorológicos, causaria chuva intensas ao redor da Bahia. . “De modo geral, a previsão é que chova 30% a mais durante o primeiro trimestre, que é o da estação, do que é considerado comum para essa época”, projetou o especialista antes do inicio das chuvas.

Futuro promete mais desastres

Em entrevista à CNN, o secretário nacional de Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, afirmou que é necessário que as autoridades estejam preparadas para desastres desse tipo.

“A gente tem que começar a se acostumar com isso [chuvas mais intensas], porque inclusive ocorreu na Alemanha, Europa recentemente, e tem ocorrido no mundo inteiro”, afirmou. “A gente tem que pensar que as cidades no Brasil foram construídas ao longo dos rios. As chuvas intensas decorrentes do aquecimento global fazem com que as águas subam muito”, disse.

Chuvas inundam cidades inteiras na Bahia; estradas alagadas impedem chegada de suprimentos e resgates

De acordo com pesquisas da UNESP, os ciclones, como os que afetam o sul da Bahia, serão cada vez mais comuns nos próximos anos. Com as mudanças climáticas, os cientistas preveem que ocorrerão menos fenômenos desse tipo por ano, mas em maior intensidade.

“Acho que os resultados devem ser vistos como mais um recado da comunidade científica no sentido de que precisamos mitigar o processo de aquecimento global”, afirmou Luiz Felippe Gozzo, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp.

“Como ainda estamos construindo o entendimento sobre o sistema de ciclones subtropicais, é difícil fazer previsões sobre o comportamento deles. E saber pode ser um fator fundamental para que se possa orientar a população quanto às ações de prevenção”, aponta.

Como ajudar o Sul da Bahia?

Em meio a todo o processo, várias organizações estão tentando reunir recursos e esforços para ajudar as populações afetadas pelas fortes chuvas.

Confira algumas

Considere ajudar os moradores da Bahia para reduzir os impactos desse desastre na vida da população mais afetada pelas chuvas.

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Fotos: Fotos 1, 2 e 4: Reprodução/Facebook Foto 3: Reprodução/Metsul


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