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El Chapo: quem foi um dos maiores traficantes de drogas do mundo

Roanna Azevedo - 13/12/2021

Joaquín Guzmán, mais conhecido como El Chapo, não é um dos maiores líderes de cartel mexicano da história por acaso. O criminoso desenvolveu um método eficiente para transportar as drogas que produzia, formou uma rede com centenas de traficantes e infiltrados no governo mexicano e na fronteira com os Estados Unidos, além de eliminar desertores e membros de cartéis rivais em um piscar de olhos.

Abaixo, contamos um pouco mais sobre a história do chefe de uma das organizações criminosas mais temidas do México.

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O passado de El Chapo e a criação do Cartel de Sinaloa

Joaquín Guzmán, o El Chapo, fundou o Cartel de Sinaloa no ano de 1988.

Antes de se tornar líder do Cartel de Sinaloa, a cidade onde nasceu em 1957, Joaquín Archivaldo Guzmán Loera já tinha bastante experiência no mundo do crime. O mexicano foi maltratado pelo pai, um agricultor humilde, durante toda a infância e começou a plantar maconha em casa para vender junto com os primos aos 15 anos de idade.

Ainda na adolescência, foi expulso de casa e se mudou para a casa do avô, ganhando o apelido de El Chapo, gíria que significa “baixinho”, por ter apenas 1,68 m de altura. Assim que chegou a idade adulta, abandonou a cidade com a ajuda de Pedro Avilés Pérez, seu tio, em busca de cartéis de drogas que ofereciam trabalhos mais lucrativos.

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Nos anos 1970, Guzmán passou a mapear rotas de transporte de drogas para o traficante Héctor Luis Palma Salazar. Na década de 1980, tornou-se parceiro de Miguel Ángel Félix Gallardo, conhecido como “O Poderoso Chefão” e maior traficante de cocaína do México na época. O trabalho de El Chapo era supervisionar a logística dos negócios. Mas, depois de algumas rixas internas e prisões, decidiu romper a sociedade e se mudar para a cidade de Culiacan. Foi lá que fundou o próprio cartel, no ano de 1988.

Guzmán coordenava a produção em massa de maconha, cocaína, heroína e metanfetamina e o contrabando para Europa e Estados Unidos, tanto pela terra quanto pelo ar. A rede de tráfico de El Chapo cresceu rapidamente graças ao uso de células de distribuição e de túneis extensos próximos às fronteiras. Com isso, uma quantidade maior de droga era transportada, um número que nenhum outro traficante na história conseguiu exportar.

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El Chapo se apresentando a imprensa após ser preso no México, em 1993.

A medida em que Sinaloa, também conhecido como Alianza de Sangre, se consolidava como potência do tráfico, outros cartéis começaram uma disputa por locais de produção e rotas de transporte. Um deles foi o de Tijuana, com o qual El Chapo entrou em confronto de 1989 a 1993. Os ataques deixaram centenas de mortos, dentre eles o arcebispo Juan Jesús Posadas Ocampo. Com a população mexicana revoltada, o governo decidiu iniciar uma caçada a Guzmán, que então passou a ser reconhecido por todo o país.

É importante lembrar que os cartéis mexicanos cresceram durante os anos 1990 porque os colombianos, como o de Medellín e o de Cáli, foram desmantelados pelas autoridades. Nas décadas de 1970 e 1980, a maior parte das drogas que entrava no território estadunidense vinha diretamente da Colômbia.

As prisões e fugas de El Chapo

Em 1993, Guzmán foi capturado na Guatemala e enviado para a prisão de Almoloya, no México. Dois anos depois, passou por uma transferência para o presídio de segurança máxima de Puente Grande. Mesmo encarcerado, El Chapo continuou dando ordens a administração de Sinaloa, que estava sendo liderado enquanto isso por Arturo Guzmán Loera, seu irmão. Na época, a organização criminosa já era uma das mais ricas e perigosas do México.

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Dos 20 anos de prisão a que foi condenado, Guzmán só cumpriu sete. Após subornar os guardas, ele escapou de Puente Grande no dia 19 de janeiro de 2001. A partir daí, ele começou a expandir seus negócios ilícitos, enfrentando cartéis rivais e roubando territórios de gangues. Por tudo isso, passou a ser considerado o maior traficante de drogas do mundo, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Gerando bilhões de dólares, seu império e influência superavam inclusive os de Pablo Escobar.

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Após fugir duas vezes da prisão, El Chapo foi finalmente capturado em 2016.

Em 2006, a guerra entre os cartéis de drogas se tornou insustentável. Para dar um fim a situação de uma vez por todas, o presidente mexicano Felipe Calderón organizou uma operação especial para prender os envolvidos. Ao todo, 50 mil pessoas foram detidas, mas nenhuma delas estava ligada a El Chapo, o que fez o povo desconfiar que Calderón protegia o Cartel de Sinaloa.

Foi apenas em 2009 que o governo mexicano se voltou totalmente para a investigação da Alianza de Sangre. Quatro anos depois, os primeiros envolvidos com a organização criminosa começaram a ser presos. Guzmán, que havia sido declarado morto, foi detido em 2014, mas escapou novamente da cadeia em 2015. Ele fugiu por um túnel escavado no subsolo e pode ter recebido ajuda de alguns agentes penitenciários.

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A polícia mexicana recapturou El Chapo somente em 2016, transferindo o traficante para uma prisão na fronteira com o Texas e, em seguida, para um presídio de segurança máxima em Nova York, nos Estados Unidos. Depois de ser condenado por júri popular, foi sentenciado à prisão perpétua no dia 17 de julho de 2019, pena que atualmente está cumprindo em Florence, no Colorado. 

Durante o julgamento, foi revelado que ele era dono de armas feitas de ouro e cravejadas de pedras preciosas, tinha uma série de amantes e costumava drogar e estuprar meninas adolescentes para “recarregar as energias”. Mesmo longe do comando do Cartel de Sinaloa, a organização criminosa continua sendo a maior dedicada ao tráfico de drogas no México.

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El Chapo sendo escoltado enquanto chega ao aeroporto de Long Island MacArthur, Nova York, em 2017.

A história de El Chapo na ficção

Quando a vida de alguém foi marcada por tantos acontecimentos e reviravoltas, não é surpreendente que ela chame a atenção do público o suficiente para ser adaptada na literatura e no audiovisual. Com Joaquín Guzmán não seria diferente.

A história do líder do Cartel de Sinaloa foi contada na série “El Chapo”, que estreou na Netflix em 2017. Diversos artistas também já citaram o traficante de drogas em suas músicas, como Skrillex, Gucci Name e Kali Uchis. Até mesmo Martin Corona, integrante de um cartel rival ao de Sinaloa, compartilhou o que conheceu de Guzmán em “Confessions of a Cartel Hit Man”, seu livro de memórias.

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Foto 1: Alfredo Estrella/AFP

Foto 2: Damian Dovarganes/AP

Foto 3: AFP

Foto 4: Reuters


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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