Ciência

Estudo investiga anticorpos da covid-19 encontrados em leite materno de vacinadas

22 • 12 • 2021 às 10:00
Atualizada em 27 • 12 • 2021 às 09:40
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Entre os muitos benefícios que o consumo do leite materno traz para a saúde de um bebê, um recente estudo revela um novo e importante efeito positivo que o alimento natural e essencial pode oferecer ao recém-nascido: os anticorpos contra a COVID-19, no leite das mães vacinadas. O estudo foi realizado por pesquisadores da University of Rochester Medical Center e da New York University, dos Estados Unidos, e publicado na revista JAMA Pediatrics, trabalhando com amostras coletadas de 77 mães, divididas entre dois grupos, de mulheres que foram infectadas pelo vírus da SARS-CoV-2, que provoca a doença, e outras que tomaram as doses corretas da vacina contra a COVID-19.

leite materno

O estudo comprovou a presença dos anticorpos no leite materno das mães vacinadas

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Mais importante do que simplesmente descobrir a presença no leite materno, o estudo demonstrou que os anticorpos são capazes, por um período, de neutralizar a doença. “Uma coisa é medir as concentrações de anticorpos, mas outra é dizer que os anticorpos são funcionais e podem neutralizar o vírus SARS-CoV-2”, afirmou Bridget Young, co-autora do estudo. “Uma das descobertas empolgantes deste trabalho é que o leite materno de ambas as mães, tanto as que já tiveram a infecção por COVID-19, quanto as mães que receberam vacinação de mRNA, continham esses anticorpos ativos e capazes de neutralizar o vírus”, afirmou.

mãe amamentando

A pesquisa analisou amostras de 77 mães divididas em 2 grupos

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A pesquisa trabalhou com dois tipos de imunidade, estudando 47 mães que apresentaram anticorpos a partir de infecção pelo vírus, e 30 mães formando o grupo das mulheres vacinadas. As mães que adquiriram a imunidade ao terem pegado o vírus desenvolveram altos níveis de anticorpos Imunoglobina A (IgA) e as vacinadas apresentaram imunidade a partir dos anticorpos Imunoglobina G (IgG) – os dois tipos de anticorpos, porém, se mostraram capazes de neutralizar o vírus SARS-CoV-2.

vacina de covid

O estudo contou com anticorpos da vacina e da própria doença

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Segundo a pesquisa, os anticorpos permanecem estáveis por três meses. “Depois de alguns meses, a tendência de anticorpos diminui, mas os níveis ainda estão significativamente acima do que eram antes da vacina”, afirmou Kirsi Jarvinen-Seppo, PhD, MD e Chefe de Alergia e Imunologia Pediátrica da URMC, também autor da pesquisa, em nota. O estudo não conclui, porém, que os anticorpos presentes no leite são o suficiente para proteger corretamente as crianças contra a COVID-19, nem afirma que o consumo do leite deve substituir a vacina – a pesquisa não contempla a nova variante ômicron do vírus.

bebê amamentando

O estudo não sugere que o leite possa substituir a vacina nos bebês

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© FOTOS 1, 4: Wikimedia Commons

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