Debate

Julgamento da Boate Kiss tem carta de vítima supostamente psicografada lida por advogada; familiares deixam sala

10 • 12 • 2021 às 12:33
Atualizada em 10 • 12 • 2021 às 12:43
Redação Hypeness
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As defesas dos réus que estão sendo julgados pela responsabilidade no caso do incêndio na Boate Kiss, que ocorreu em janeiro de 2013, se pronunciaram perante ao tribunal na noite dessa quinta-feira (9).

Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, integrante da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e o assistente de palco Luciano Bonilha Leão estão sendo acusados por homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual pelas 242 mortes e pelos mais de 600 feridos na tragédia de janeiro de 2013 em Santa Maria (RS).

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O julgamento se estende pelo décimo dia e tem atraído a atenção da imprensa por sua relevância. A tese de homicídio com dolo eventual defende que os quatro réus sejam penalizados por assumirem os riscos de morte ao 1. utilizarem a espuma que liberou gases tóxicos e asfixiou as vítimas dentro da casa de shows e 2. por acenderem um artefato pirotécnico inadequado dentro do espaço, que foi o principal motivador do incêndio.

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O argumento das defesas

As defesas de três dos acusados pedem a absolvição por homicídio e tentam responsabilizar entes públicos pelo acidente. Segundo os advogados dos réus, os entes públicos da cidade de Santa Maria vistoriaram e não viram problemas de segurança na Boate Kiss.

A defesa de Elissandro Spohr é a única que argumenta pela responsabilização por homicídio culposo, retirando o dolo eventual da sentença. De acordo com seu advogado, ele não tinha conhecimento sobre os gases tóxicos da espuma da Boate e recebeu autorização da prefeitura para utilizá-la.

“O raciocínio que é feito é que o Kiko [Elissandro Spohr] colocou uma espuma assassina. A gente só sabe disso depois. Eu não posso condenar alguém porque ‘depois’. Eu agora sei. Tenho que condenar alguém que sabia antes, quem diz isso é o professor David Medina da Silva”, defendeu o advogado Jader Marques, citando a obra do promotor do caso, que acusa os réus. “Para haver dolo é preciso haver consciência e eles não tinham essa consciência da espuma. Não tinham. A prefeitura esteve lá”, disse.

Entretanto, um dos momentos mais bizarros do julgamento foi o uso de uma carta psicografada pela defesa de Marcelo de Jesus dos Santos, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira. A advogada Tatiana Borsa pediu que fosse feita “justiça e não vingança”. Durante o episódio, familiares das vítimas saíram da sala do tribunal.

Confira:

“Tenho certeza que todos os anjinhos que estão lá em cima, que são as vítimas da Kiss, estão aqui, lindos, sorrindo e acreditando que a justiça será feita e não a vingança, absolvam o Marcelo. É só isso que eu peço, ele jamais anuiu a morte de tanta gente. Gente a quem ele ia proporcionar alegria, mas que a reunião de irresponsabilidades ocasionou essa tragédia”, afirmou ela na conclusão da peça.

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Fotos: Reprodução/Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e Ministério Público do Rio Grande do Sul


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