Arte

Lázaro Ramos: conheça a trajetória de um dos maiores atores do Brasil

07 • 12 • 2021 às 09:55 Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Após alcançar o estrelato nos anos 2000, Lázaro Ramos se tornou um dos atores brasileiros mais consagrados da atualidade. Presente tanto na TV quanto no cinema e no teatro, ele se mostrou um artista versátil e de perspectiva artística própria desde o início da carreira.

Pensando nisso, reunimos abaixo os principais detalhes sobre a trajetória dele, do começo como figurante até os dias de hoje, quando já é considerado um dos maiores atores do país.

Os 11 brasileiros entre os afrodescentes mais influentes do mundo, segundo a Mipad

De Salvador, Bahia, Lázaro Ramos começou a carreira no Bando de Teatro Olodum, em 1994.

A carreira de Lázaro na TV e no cinema

Luís Lázaro Sacramento de Araújo Ramos nasceu na cidade de Salvador, Bahia, em 1978 e desde muito jovem já estudava teatro na escola. Aos 12 anos substituiu o primo na peça infantil “A Bruxinha Que Era Boa”. Aos 15, decidiu que queria ser ator e passou a integrar o Bando de Teatro Olodum, fazendo figuração nos filmes “Jenipapo” (1995) e “Cinderela Baiana” (1998). Enquanto isso, também trabalhava como técnico de laboratório para ajudar a pagar as contas de casa.

Mas a paixão pela carreira artística falou mais alto, principalmente depois que Lázaro conseguiu se estabilizar um pouco melhor financeiramente. Em 2000, ele participou da comédia “Sabor da Paixão”, contracenando com Murilo Benício e a atriz espanhola Penélope Cruz. Seu primeiro papel de protagonista no cinema não demorou muito para chegar. No ano de 2002, estrelou o drama biográfico “Madame Satã”, interpretando uma das figuras LGBTQIA+ mais emblemáticas da vida noturna carioca. 

Madame Satã e Gil: a grandeza dos ‘excluídos’ da Fundação Palmares incomoda Sérgio Camargo. Quem liga?

Lázaro Ramos e Flávio Bauraqui em “Madame Satã” (2000).

Lázaro também participou dos filmes “O Homem que Copiava” (2003) e “Meu Tio Matou um Cara” (2004). No primeiro, interpretou André, um jovem que trabalha como operador de fotocopiadora e precisa de 38 reais para se aproximar de Sílvia (Leandra Leal), a mulher por quem está apaixonado. No segundo, ele deu vida a Éder, um homem que vai preso após confessar um assassinato e é ajudado pelo sobrinho, Duca (Darlan Cunha), a provar sua inocência.

Leandra Leal posta foto rara com a filha e fala sobre racismo: “precisamos ouvir quem passa por isso”

Em 2005, Lázaro viveu seu terceiro protagonista no longa “Cafundó”. Ele foi João de Camargo, um ex-escravizado que se tornou líder religioso. Ainda no mesmo ano, atuou ao lado de Wagner Moura e Alice Braga no drama “Cidade Baixa”. O filme conta a história de dois transportadores marítimos que se apaixonam por uma prostituta.

Wagner Moura detalha luta para colocar ‘Marighella’ nas ruas e acusa presidente de terrorismo

Enquanto isso, Lázaro também já fazia suas primeiras participações na TV. Após atuar na série “Sexo Frágil” (2003-2004), apresentar alguns quadros do “Fantástico” (2005) e o programa “Espelho” (2006-atual), ele estreou nas novelas como um dos personagens principais de “Cobras & Lagartos” (2006), contracenando com sua esposa Taís Araújo (Ellen). Na trama, Foguinho era um jovem malandro que trabalhava fazendo anúncios na rua e recebeu uma herança por engano. O papel rendeu uma indicação ao Emmy Internacional de Melhor Ator.

Celebrando 15 anos de casamento, Taís e Lázaro trocam declarações, “te amo”

Lázaro como Foguinho na novela “Cobras & Lagartos” (2006).

Em 2007, Lázaro participou da novela “Duas Caras” e estrelou o filme “Ó Paí, Ó”, dirigido por Monique Gardenberg. Baseado na peça de Márcio Meirelles, o longa conta a história dos moradores de um cortiço no Pelourinho, em Salvador, e teve a maioria do elenco formada por atores do Bando de Teatro Olodum. A comédia musical fez tanto sucesso, que virou uma série de 10 episódios exibida pela Globo entre 2008 e 2009.

Depois de dar vida ao personagem André Gurgel em “Insensato Coração” (2011), Lázaro protagonizou “Lado a Lado” (2012), juntamente com Camila Pitanga, Marjorie Estiano e Thiago Fragoso. Escrita por Claudia Lage e João Ximenes Braga, a novela venceu o Emmy Internacional de 2013. No ano seguinte, o ator participou de mais um folhetim: “Geração Brasil”, que marcou a segunda vez em que contracenou com Taís Araújo, sua esposa.

2015 foi um ano de projetos especiais para Lázaro. No cinema, atuou nos filmes “Sorria, Você Está Sendo Filmado” e “Tudo que Aprendemos Juntos”. Na televisão, estrelou o seriado “Mister Brau”, uma comédia de Jorge Furtado e Adriana Falcão sobre a vida de um cantor muito famoso morando em um condomínio conservador na Barra da Tijuca. Taís Araújo, com quem é casado na vida real, também fazia sua esposa na trama, a controladora e engraçada Michele.

Lázaro e Taís Araújo caracterizados como Brau e Michele na série “Mister Brau” (2015-2018).

O primeiro vilão vivido por Lázaro foi Nenê, personagem do filme “Mundo Cão” (2016). No suspense, ele contracenou com Babu Santana e Adriana Esteves. Pouco tempo depois, estreou na Globo com próprio programa de variedade, o “Lazinho com Você” (2017). Em 2018, atuou em “O Beijo no Asfalto”, longa baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues. Um ano depois, venceu o Troféu Oscarito no Festival de Gramado e retornou ao teatro com a peça “O Topo da Montanha”. Dirigido e encenado por ele, o espetáculo retrata as últimas horas de vida de Martin Luther King Jr. e também conta com Taís Araújo no elenco.

Babu Santana desabafa no BBB sobre falta de chances por racismo no meio artístico

Lázaro estreou como diretor de cinema em 2019, ano em que começaram as filmagens do longa “Medida Provisória”. O filme ganhou vários prêmios internacionais, como o troféu de Melhor Roteiro no Indie Memphis Film Fest. Mas, por causa da pandemia, só chegou ao Brasil em 2021. Esse ano, o ator ainda deixou a Globo após 17 anos na emissora e assinou um contrato de exclusividade com o Amazon Studios.

Spike Lee? 5 cineastas negros brasileiros para Antonia Pellegrino se livrar do racismo estrutural

Lázaro para além das telas: o lado escritor do artista

Não é só no teatro e no audiovisual que Lázaro Ramos se arrisca. O artista também se dedica à carreira de autor. “Paraputas” (2000) foi o primeiro livro lançado por ele. O título é uma referência a Ilha do Pati, em São Francisco do Conde, a cidade natal de uma parte de sua família.

Lançado em 2010, o segundo livro recebeu o nome de “A Velha Sentada” e tem como tema a imaginação das crianças e o relacionamento delas com a internet. A obra inspirou a criação da peça infantil “A Menina Edith e a Velha Sentada”, que misturava canções de James Brown, Cartola e outros artistas. Em 2014, Lázaro recebeu o Prêmio Zilka Salaberry de Melhor Diretor. Já em 2015, o espetáculo venceu as categorias de Música Original e Texto Adaptado no Prêmio CBTIJ de Teatro para Crianças.

Capa do livro “Na Minha Pele” (2017).

“O Caderno de Rimas do João” (2014) foi seu terceiro livro publicado. Estruturado em rimas, é baseado nas palavras e expressões curiosas ditas pelas crianças e, principalmente, por João Vicente, filho mais velho de Lázaro. Três anos depois, mais duas obras chegaram às livrarias do Brasil: “O Coelho Que Queria Mais” e “Na Minha Pele”. Esse último aborda a questão racial, mais precisamente a vivência do artista como um homem negro, e se tornou um dos mais lidos do país.

Publicidade

Foto 1: Divulgação/Julia Rodrigues

Foto 2: Divulgação

Foto 3: Divulgação/Globo

Foto 4: Caiuá Franco/Divulgação/Globo

Foto 5: Divulgação/Objetiva


Canais Especiais Hypeness