Arte

Marina Abramović: quem é a artista que impressiona o mundo com suas performances

Roanna Azevedo - 07/12/2021

Marina Abramović é uma das principais, e provavelmente mais famosas, artistas performáticas da atualidade. Conhecida por testar a resistência do corpo e da mente, ela impacta público e crítica com suas apresentações há quase 50 anos, além de proporcionar considerações muito importantes sobre a psicologia e a natureza humanas.

Abaixo, contamos mais detalhes sobre a trajetória de Abramović e mostramos algumas de suas principais obras.

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Quem é Marina Abramović?

Abramović é uma das maiores artistas performáticas contemporâneas.

Marina Abramović é uma artista de performance que utiliza o próprio corpo como sujeito e ferramenta de expressão. Seus trabalhos têm um objetivo geral: investigar os limites físicos e mentais do ser humano. Ela costuma se auto-intitular “avó da arte performática”, mas também é conhecida pela crítica especializada como “a grande dama da arte performática”.

Abramović nasceu em Belgrado, na Sérvia (antiga Iugoslávia), em 1946, e deu início a sua carreira no início dos anos 1970. Filha de ex-guerrilheiros do Partido Comunista da Iugoslávia, ela recebeu uma educação rígida e se interessou pelo mundo das artes desde muito cedo. 

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Escolheu estudar pintura na Academia de Belas Artes da capital nacional em 1965, mas logo descobriu que a performance era sua forma ideal de manifestação artística. Sete anos depois, se pós-graduou na Academia de Belas Artes de Zagreb, na Croácia.

Sua principal parceria profissional foi com o artista alemão Ulay, com quem também teve um relacionamento. De 1976 a 1988, os dois criaram juntos diversas obras, até a que anunciou sua separação como casal. Posicionados em lados opostos da Grande Muralha da China, eles partiram um em direção ao outro até se encontrarem no meio do monumento e se despedirem. A performance ganhou o título de “The Lovers”.

As principais obras de Abramović

Falar de Marina Abramović sem citar suas obras é praticamente impossível, uma vez que ela interpreta o corpo como lugar de exploração artística, mesmo que sua saúde possa ser comprometida por causa disso. Suas performances costumam ser de longa duração e muitas vezes submetem a artista a condições extremas de dor e perigo.

Outro ponto central para a arte de Abramović é a integração com o público. Ela acredita na importância do envolvimento entre artista e espectador. Por isso, gosta de convidar as pessoas para participarem de suas performances, as transformando em colaboradores.

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Rhythm 10 (1973): É a primeira performance da série “Rhythms” e aconteceu na cidade de Edimburgo, capital da Escócia. Nela, Abramović passava com a lâmina de uma faca no espaço entre seus dedos. Toda vez que ela errava e se machucava sem querer, trocava de faca e começava tudo de novo. A intenção era refazer os mesmos erros, numa referência aos rituais e ao movimento de repetição.

Rhythm 5 (1974): Nesta performance, a artista posicionou uma enorme estrutura de madeira em formato de estrela no chão do Centro do Estudante de Belgrado. Em seguida, cortou os cabelos e as unhas e os descartou nas chamas produzidas pelas bordas da construção. Por último, Abramović se deitou no centro da estrela. Funcionando como uma metáfora da ideia de purificação, a apresentação precisou ser interrompida depois que a artista inalou fumaça demais e perdeu a consciência.

Rhythm 0 (1974): Uma das performances que mais colocaram a vida de Abramović em risco. Na Galleria Studio Morra, em Nápoles, Itália, a artista colocou mais de setenta objetos em cima de uma mesa. Dentre eles, havia tintas, canetas, flores, facas, correntes e até uma arma de fogo carregada. 

Ela informou que o público poderia fazer o que quisesse com ela dentro de um período de seis horas. Abramović foi despida, machucada e ainda teve o revólver apontado à sua cabeça. O objetivo da artista com essa performance era questionar as relações de poder entre as pessoas, compreender a psicologia e a formação de conexões entre os seres humanos.

In Relation in Time (1977): Esta performance foi realizada por Abramović em parceria com o artista Ulay no Studio G7, localizado na cidade de Bolonha, Itália. Por 17 horas, os dois se sentaram de costas um pro outro e ficaram presos pelo cabelo. A intenção por trás da obra era promover uma reflexão sobre o tempo, o cansaço e o equilíbrio.

Breathing In/Breathing Out (1977): Outra performance em conjunto com Ulay, desta vez exibida em Belgrado. Abramović e ele ajoelharam frente a frente com as narinas tapadas por filtros de cigarro e colaram suas bocas uma na outra. Assim, só conseguiam respirar o mesmo ar.

A apresentação durou 19 minutos: esse foi o tempo necessário para que o oxigênio que compartilhavam acabasse e o casal quase desmaiasse. Experimentando uma sensação de angústia com a obra, ambos buscavam incentivar o debate sobre interdependência amorosa.

Rest Energy (1980): Mais uma vez trabalhando em conjunto, Abramović e Ulay quiseram propor uma reflexão sobre confiança mútua. Na performance, que aconteceu em Amsterdã, Holanda, eles equilibravam os pesos de seus corpos se agarrando em um arco, enquanto uma flecha estava apontada para o coração da artista.

Microfones foram usados para mostrar como os batimentos cardíacos do casal aceleravam de tensão e nervoso na medida em que o tempo passava. A apresentação durou apenas quatro minutos e, segundo Abramović, foi uma das mais complicadas de sua carreira.

The Artist is Present (2010): “A Artista Está Presente”, em português, é uma performance de longa duração é a mais recente da lista e ganhou bastante repercussão em todo o mundo. Durante a exposição sobre seus quase quarenta anos de carreira no MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, Abramović se sentava em uma cadeira e convidava o público a ficar frente a frente com ela em silêncio por um minuto. Nos três meses de exibição, a artista se apresentou por 700 horas ao todo.

Uma das pessoas que aceitaram participar da performance e surpreendeu Abramović foi Ulay, seu ex-companheiro. Os dois se emocionaram com o reencontro e deram as mãos ao final da apresentação.

Marina Abramović e Ulay durante a performance “A Artista Está Presente”, no MoMA, em Nova York (2010).

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Foto 1: Marko Risovic

Fotos 2 e 3: Sean Kelly Gallery/(ARS)

Foto 4: Reprodução/Marina Abramović Institute

Foto 5 e 7: Reprodução/MoMA

Foto 6: Reprodução/Marina Abramović

Foto 8: Scott Rudd/Divulgação


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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