Ciência

Médicos retiram tumor de 30 kg de jovem em cirurgia inédita no Brasil

Redação Hypeness - 13/12/2021

O ano de 2021 vai ficar marcado na vida de Karina Rondini como um ano de superação pessoal. Além de todas as questões relativas à pandemia de Covid-19, a curitibana de 31 anos finalmente conseguiu realizar a cirurgia que tanto desejou para a retirada de 30,4kg de tumores nas pernas. O procedimento, consequência de uma neurofibromatose tipo 1, diagnosticada quando ela tinha dois anos, aconteceu no dia 18 de novembro, na capital paranaense. 

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Karina aparece caminhando ainda no hospital após a cirurgia que removeu 30,4kg de tumores de suas pernas.

Apesar de ter sido diagnosticada aos dois anos, Karina só começou a sofrer com o crescimento dos tumores quando completou 15 anos. Ela sofreu com o preconceito, as piadas maldosas, dores e coceiras. 

Há cerca de dois anos, os tumores já pesavam 40kg em seu corpo e os médicos brasileiros diziam que não era possível operar para retirá-los totalmente. O procedimento seria de alto risto por conta da alta vascularização dos tumores. A presença de muitos vasos sanguíneos poderia provocar uma hemorragia grave e levar Karina à morte. 

O cenário mudou quando ela conheceu o cirurgião plástico americano McKay McKinnon. O nome chegou até Karina após ela ser personagem de um documentário do Reino Unido sobre doenças raras. Com a visibilidade que seu caso ganhou, Karina começou a receber muitas mensagens e comentários nas redes sociais de pessoas indicando que ela procurasse McKinnon.

Após entrar em contato com o médico e explicar o caso, Karina e sua família buscaram de todas as formas arrecadar dinheiro para trazê-lo ao Brasil para que a operasse. Os custos de cerca de R$ 200 mil foram conseguidos graças a uma campanha de arrecadação coletiva, promovida pelo “Razões para Acreditar”, e pela venda de bens da família. 

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Karina em foto tirada antes da operação.

Vendemos o carro, economizamos muito, tudo pensando nessa cirurgia. Sem o nosso automóvel, ficou difícil até para a Karina se deslocar. Inclusive, uma vez precisamos ir até São Paulo de ônibus com leito cama, por que os bancos comuns não eram grandes o suficiente para ela“, contou Fátima, mãe de Karina, em entrevista ao “Uol”. 

A cirurgia era para ter acontecido no ano passado. No entanto, a família não conseguiu arrecadar todos os valores necessários para arcar com os custos do procedimento, que aconteceu, finalmente, no último dia 16 de novembro. 

Foram 11 horas de operação e um total de 30,4kg de tumores retirados. Apesar do número impressionante, ele não representa a totalidade dos tumores que Karina apresentava no corpo. A estimativa é que tenham sido retirados cerca de 80% deles. Os ourtos 20% devem ser retirados em uma cirurgia menor realizada pelos médicos brasileiros do Hospital Marcelino Champagnat. 

Médicos não sabem se novos tumores surgirão com o tempo

Apesar da cirurgia ter sido um sucesso, Karina está enfrentando uma rotina cansativa na recuperação. Na última semana, ela precisou ser internada novamente para receber transfusão de sangue e fazer exames de avaliação. Durante a cirurgia, Karina precisou receber 18 bolsas de sangue e tem feito novas transfusões nesta segunda internação.

Transfundi mais 4 bolsas de sangue, e fiz vários exames de sangue e foi detectado que estou com uma bactéria na corrente sanguínea. Adquiri essa bactéria aqui no hospital. Estou tratando com antibióticos bem fortes, porque ela é bem resistente“, escreveu a curitibana em sua conta no Instagram. 

Estão sendo dias difíceis, todos os dias tem coletas de sangue, e essa é a parte que mais me dói, pois minhas veias não aguentam mais, fazem vários furos até encontrar uma veia que aguente. Até na jugular fizeram e a veia estourou.

Obrigada a toda equipe do hospital que me atenderam e continuam atendendo super bem para que eu me sinta o mais confortável possível. Gratidão a todos que oraram,doaram,mandaram energias positivas, sem vocês nada disso seria possível“, agradeceu a jovem. 

Karina e a equipe de médicos que a operou.

Não é possível dizer se os tumores voltarão a crescer no corpo de Karina. Como a neurofibromatose é uma doença sem cura, há chances de que novos tumores apareçam em outras partes do corpo de Karina. Para McKinnon, o cenário é incerto, mas ele nutre uma mentalidade positiva para os possíveis desdobramentos do caso.  

Ainda é cedo para dizer quais são os resultados, mas ela está se recuperando bem. A cirurgia radical de fato pode prevenir a recorrência de um tumor e estamos tentando buscar a base científica para essa hipótese, isso faz parte da minha carreira“, diz. 

Pense na natureza: se você aparar a flor no topo da planta, ela crescerá novamente, mas se você destruir as raízes da planta, isso não será possível. Essa pode ser uma analogia próxima ao que tento fazer com a neurofibromatose.

 

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Fotos: Reprodução/Instagram/@superandoaneurofibromatose


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