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Mulher gorda: não é ‘cheinha’ nem ‘fortinha’, é gorda mesmo e com muito orgulho

Roanna Azevedo - 09/12/2021 | Atualizada em - 13/12/2021

Se você é uma mulher gorda, com certeza já foi chamada de “fortinha”, “cheinha”, “fofinha” e outros termos similares. Se você não é uma mulher gorda, provavelmente já usou as mesmas expressões para se referir a uma. Essas palavras são eufemismos, tentativas de amenizar o fato de um corpo não ser magro ou evitar uma suposta ofensa gordofóbica. Mas, se a palavra “gorda” não é um xingamento, por que precisa ser suavizada?

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Está aí o ponto chave da questão: ela não precisa. No dicionário, “gordo (a)” é apenas um adjetivo que classifica tudo aquilo “que tem grande teor de gordura”. O sentido pejorativo contido nela é empregado exclusivamente pela sociedade em que vivemos. Desde cedo, mesmo inconscientemente, somos ensinados a desumanizar mulheres e pessoas gordas no geral, como se o corpo que elas têm fosse digno de pena e ódio, ao mesmo tempo e na mesma proporção.

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Mulheres gordas costumam ser inferiorizadas por estarem fora do padrão de beleza.

O que precisamos compreender coletivamente é que ser gorda não é ruim. Ser gorda é apenas mais uma característica física, assim como a altura, o tamanho dos pés ou o formato das orelhas, sem estar atrelada a qualquer carga negativa ou positiva. Um corpo gordo não é necessariamente menos saudável ou desejável, ele é somente um corpo como qualquer outro.

 

Mas por qual motivo a palavra “gorda” virou sinônimo de ofensa? Para responder essa pergunta, explicamos abaixo tudo o que você precisa saber sobre gordofobia e a origem do padrão de beleza atual.

O que é gordofobia?

Gordofobia é o termo usado para se referir ao preconceito contra pessoas gordas, que podem ser humilhadas, desprezadas e inferiorizadas apenas pelo corpo que têm. Esse tipo de intolerância muitas vezes é manifestado em tom de piada ou disfarçado de preocupação com a saúde da vítima.

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Diferentemente do racismo e da homofobia, a legislação brasileira ainda não tipifica ataques gordofóbicos como crime, mas garante algumas proteções jurídicas. Vítimas discriminadas pelo peso podem processar seus agressores por danos morais, categoria de punição que enquadra ações capazes de gerar abalos e traumas psicológicos. Em razão da inexistência de medidas efetivas, a maior dificuldade das denúncias é conseguir provar que um episódio de gordofobia realmente aconteceu.

Corpos gordos x corpos magros: o padrão ideal ao longo da história

O corpo é uma construção social.

O sentimento de aversão aos corpos gordos nem sempre esteve presente na sociedade. Ele se desenvolveu conforme o padrão de beleza foi mudando ao longo da história. O modo com que um indivíduo percebe sua identidade e o próprio corpo faz parte de uma construção ideológica perpetuada por diversos agentes sociais, principalmente a mídia e a imprensa. Isso significa que ele reflete uma realidade coletiva, existe dentro de um contexto que atribui sentidos a todas as coisas.

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Corpos femininos são diferenciados dos masculinos de acordo com representações elaboradas pela sociedade. O gênero não é determinado biologicamente, mas culturalmente. Portanto, o corpo também é uma construção social formada por significados que se alteram no decorrer do tempo. 

Até o século XIX, mulheres de ancas largas, pernas grossas e seios fartos eram associadas à beleza, à saúde e à nobreza, porque suas características físicas sugeriam que elas tinham uma alimentação rica em variedade e quantidade. Foi a partir do século XX que corpos gordos se tornaram indesejáveis, ao contrário dos magros, que passaram a ser considerados elegantes e saudáveis.

O corpo ideal das revistas não existe. O verdadeiro corpo ideal é aquele que você tem.

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Desde então, o corpo feminino ideal é o magro. Ele se transformou em símbolo de felicidade e beleza, na condição principal para as mulheres serem aceitas socialmente e terem sucesso em todas as áreas da vida, sobretudo na romântica e na profissional. A magreza ganhou destaque nas capas de revista e status de sonho de consumo, precisando ser conquistada de qualquer maneira, seja por meio de dietas radicais, intervenções cirúrgicas ou exercícios físicos praticados de forma irresponsável. 

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Enquanto isso, o corpo gordo virou sinônimo de falta de saúde, desleixo, preguiça e pobreza. A obsessão pela magreza fez da gordura um símbolo de moral e caráter pejorativos. As mulheres gordas foram estigmatizadas por desviarem do padrão estético imposto pela sociedade. De acordo com essa visão gordofóbica, elas descontam na comida a frustração por serem desajustadas socialmente.

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Foto 1: Luis Alvarez/Getty Images

Foto 2: Laura Tancredi/Pexels

Foto 3: SHVETS/Pexels


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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