Debate

Padre Julio Lancellotti faz série sobre aporofobia para explicar ódio das cidades brasileiras aos pobres

09 • 12 • 2021 às 10:24
Atualizada em 13 • 12 • 2021 às 09:51
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

A palavra deve ser nova para a maioria, mas o conceito que a explica não é novidade para ninguém: aporofobia é a aversão a pessoas pobres.

O termo foi cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina e tem sido usado pelo padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo na Arquidiocese de São Paulo, mas denunciar o descaso da sociedade e dos governos com relação aos mais oprimidos.

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Padre Julio Lancellotti distribui comida a pessoas em situação de rua.

Em muitos municípios Brasil afora, observa-se na própria arquitetura da cidade uma rejeição ao mínimo bem-estar (se é que se pode chamar assim) principalmente de pessoas em situação de rua. Há cidades — não poucas — que costumam colocar pedras pontiagudas em locais que poderiam servir de abrigo para essa parcela da população.

Avenida Brasil, Rio de Janeiro: aversão a pobres!“, escreve o pároco em sua conta no Instagram, ao exibir o vídeo de um trecho da Avenida Brasil, uma das principais da capital carioca, repleta de pedregulhos em áreas que poderiam serviar de apoio a quem vive nas ruas.

Esses espaços normalmente fica embaixo de pontes, elevados ou viadutos, áreas que projetam sombra ou uma cobertura parcial e que podem ajudar pessoas em situação de rua na hora de encontrar um lugar para dormir ou apenas descansar.

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Padre Julio já denunciou situações semelhantes em cidades como o Rio de Janeiro, Florianópolis, Itajaí e em outros municípios de estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Aporofobia em ação!“, legenda o padre em uma foto de uma igreja cercada por portões de ferro em sua porta.

Outras formas de expor a aporofobia é quando governos municipais, estaduais ou até mesmo o federal bancam campanhas publicitárias que tentam fazer com que a população não dê “esmolas” a pessoas que pedem dinheiro nas ruas.

Esse tipo de peça publicitária incentiva os cidadãos a não darem dinheiro, mas chamarem as autoridades para lidar com a pessoa em situação de rua. A questão é que a esmagadora maioria dos municípios não está preparada para ajudar essa parcela da população da forma mais adequada. Ainda mais na situação atual do país, que vive uma crise econômica grave que atinge cada vez mais brasileiros.

Confira algumas imagens de aporofobia pelo Brasil postadas pelo Padre Julio Lancellotti: 

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