Debate

Passaporte da vacina: Brasil pode virar destino ‘antivax’ preso na coleira negacionista de Bolsonaro

08 • 12 • 2021 às 14:47
Atualizada em 08 • 12 • 2021 às 15:16
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O Brasil está mergulhado em um debate sobre mais restrições para viajantes que desembarcam por aqui vindos de outros países. A dicussão se acirrou por causa da descoberta por cientistas da África do Sul da variante ômicron, que provocou o aumento de medidas restritivas em países da Europa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou uma recomendação ao Ministério da Casa Civil reforçando a necessidade da exigência de comprovação de vacinação completa contra a covid-19 de todas as pessoas que entrarem no país.

Bolsonaro que reduzir a já branda legislação sobre obrigatoriedade de vacinas no país

Além do chamado passaporte da vacina, Anvisa orienta autoridades brasileiras que impeçam passageiros vindos de diversos países da parte sul do continente africano sejam aceitos no território nacional.

Negacionista desde o início da pandemia que já mato mais de 600 mil brasileiros e brasileiras, o governo Bolsonaro não somente rejeitou a proposta como também pretende criar uma Medida Provisória para limitar o uso do comprovante vacinal para a população. O presidente afirmou que irá tentar centralizar as decisões sobre o uso do passaporte sanitário para desobrigar a imunização dos brasileiros.

Paraíso da ômicron

Em declaração recente, Bolsonaro mentiu sobre as vacinas e afirmou, sem provas, que tem “muita gente tem morrido [vacinada] por covid-19 no Brasil”. Não é verdade, pois 80% das mortes por covid-19 no Brasil atualmente são por pessoas não-vacinadas, que transmitem e espalham o vírus mais do que os vacinados.

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“Nós vemos uma briga enorme aqui agora sobre passaporte vacinal. Quem é favorável, não se esqueça: amanhã alguém pode impor algo para você que você não seja favorável. E a gente pergunta: quem toma vacina pode contrair o vírus? Pode e contrai. Pode transmitir? Sim e transmite. Pode morrer? Sim, pode, como tem morrido muita gente, infelizmente. A gente pergunta: por que o passaporte vacinal? Por que essa coleira que querem colocar no povo brasileiro?”, disse o presidente.

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Ele, portanto, afirmou que irá editar uma Medida Provisória para impedir que estados e municípios possam exigir comprovante de vacina de seus servidores ou para estabelecimentos no geral. “Tem uns itens [na lei] que falam das medidas a serem adotadas por qualquer agente sanitário, Estado e município. Quero trazer para agente federal”, afirmou o presidente ao site Poder360.

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“Por mim, a vacina é opcional. Eu poderia, como eu posso hoje em dia, partir para uma vacinação obrigatória, mas jamais faria isso porque, apesar de vocês não acreditarem, eu defendo a verdade e a democracia. Agora, não pode dar para prefeitos e governadores essa liberdade. Sei que a maioria não está adotando isso, mas tem alguns que já estão ameaçando, ameaçando demissão”, justificou.

Somando isso a inexigência de vacinação para a covid-19 de estrangeiros, Bolsonaro inventa um paraíso para os negacionistas de todo o planeta. Enquanto os Estados Unidos e diversos países da Europa como França, Rússia e Alemanha enfrentam problemas para poder vacinar sua população, o Brasil abre suas portas para uma nova variante e para teóricos da conspiração espalharem o vírus por todas as praias da cidade maravilhosa e além.

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“O passaporte vacinal faz parte de um processo civilizatório e é inadmissível que o Brasil diga que vai abrir mão disso. Com essa medida, nosso país corre o risco de ser um destino para negacionistas antivacina. Pessoas de destino como França, que é o berço do Iluminismo, mas um terço da população é contra a vacina ou a Alemanha, que é altamente desenvolvida e com alto nível cultural. É inacreditável que ainda exista isso”, explica a professora e doutora em infectologia Margareth Dalcomo em entrevista á Marie Claire.

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Fotos: foto 1: Carolina Antunes/Presidência da República/foto 2: Getty Images


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