Debate

Precisamos falar sobre o passado sinistro da L’Oréal relacionado ao nazismo

Redação Hypeness - 06/12/2021 | Atualizada em - 13/12/2021

“Nunca pergunte a uma empresa o que ela fazia entre 1939 e 1945” é o que diz uma piada recorrente na internet. E sabemos do passado nazista de algumas empresas: Volkswagen, Siemens, Hugo Boss e Bayer são algumas das gigantes que trabalharam junto do Terceiro Reich entre os anos que antecederam e durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, poucos sabem, mas a L’Oreal, francesa, também fez parte dessa história triste.

Hoje a L’Oréal é uma holding que mantém um portfólio com mais de 35 marcas como Lancôme, YSL Beauté, Armani, Kiehl’s, Chacharel, Diesel e fatura mais de 1,37 bilhão de dólares todos os anos, com mais de 88 mil empregados ao redor do planeta.

Eugene Schueller, fundador da L’Oreal e financiador de movimentos pró-nazi na França de Vichy

Porém, muito antes disso, a L’Oréal era simplesmente uma das empresas em ascensão no pouco desenvolvido ramo de cosmética e beleza. O fundador da empresa, Eugene Schueller, era francês, mas admirava muito o que ocorria do outro lado da fronteira. Schueller era um declarado fascista e fez da sede da L’Oreal o ponto principal de encontro para a La Cagoule, uma organização de fascistas francesa que se juntaram para tentar um golpe fascista na Terceira República Francesa. (Uma outra empresa que financiava as atividades do grupo era a Renault).

– Marca é acusada de nazismo por coleção com Cruz de Ferro e uniformes militares

Em 1939, quando a guerra estourou, o grupo fascista se dividiu em vários, mas Schueller fundou o ‘Mouvement Social Révolutionnaire’ – ‘Movimento Social Revolucionário’ ou MSR -, a ala mais radical dos ex-La Cagoule. Ele financiou as operações do movimento que agiu pelos interesses nazistas durante o governo colaboracionista da França, também conhecido como Governo de Vichy.

Durante esse período, o MSR foi responsável por entregar judeus franceses para a SS e inclusive bombardeou sinagogas em Paris. Posteriormente, quando a Alemanha Nazista entra em guerra contra a União Soviética, Schueller participa da refundação do grupo como ‘Liga Anti-Bolchevique’ e criam uma milícia para eliminar a Resistência e o pensamento socialista e social democrata na república de Vichy.

Hitler marcha em Paris após instauração do governo colaboracionista

Um dos membros da LVF era André Filiol, nominalmente responsável por cerca de 634 assassinatos durante o período do governo de Vichy porque comandou a SS no país. Após o fim da guerra, foi condenado à morte pela Justiça Francesa por sua colaboração com o nazismo, mas se exilou na Espanha do general Franco para comandar as operações da L’Oreal no País.  Jacques Corrèze, que também era do grupo nazista de Schueller, se tornou CEO da L’Oreal nos EUA nos anos posteriores à Segunda Guerra. Schueller nunca foi julgado pelo seu financiamento aos nazifascistas na França.

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Fotos: Wikimedia Commons


Redação Hypeness
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