Ciência

Stephen Hawking: a vida e o legado de um dos cientistas mais importantes do mundo

20 • 12 • 2021 às 10:32
Atualizada em 22 • 12 • 2021 às 10:08
Roanna Azevedo
Roanna Azevedo   Redatora Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

Um dos cientistas mais conhecidos da história, Stephen Hawking não ganhou tanta popularidade por acaso. As teorias que desenvolveu, como a dos buracos negros e a do espaço-tempo, foram contribuições fundamentais à comunidade científica. Mais do que isso: ele conseguiu despertar interesse e explicar princípios da física e da cosmologia para um público leigo como ninguém havia antes.

Para celebrar a vida e a trajetória de Hawking, reunimos abaixo tudo o que você precisa saber sobre uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos.

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Origem, carreira e vida pessoal

Stephen Hawking em sua formatura na Universidade de Oxford.

Stephen William Hawking nasceu em Oxford, na Inglaterra, em 1942. Filho de um médico e uma filósofa, ele foi considerado uma criança precoce: não gostava de matemática, por achar a disciplina fácil demais, e era chamado de Einstein pelos colegas de escola. Apesar disso, não era um aluno dedicado e costumava fazer seus trabalhos e lições de casa sem qualquer capricho.

Aos 17 anos de idade, ganhou uma bolsa para estudar física na Universidade de Oxford. Escolheu esse curso porque tinha o desejo de compreender questões existenciais, como a origem do mundo e da vida humana. Depois de graduado, ingressou no Trinity Hall College, em Cambridge, como mestrando. Lá, ele estudou de 1962 a 1966. Mais uma vez, mesmo não dedicando tanto tempo quanto seus colegas, se formou com honras.

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Nos anos seguintes, Hawking começou a trabalhar como pesquisador e professor. Lecionou no Gonville and Caius College e passou pelo Instituto de Astronomia, até entrar para o Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica, do qual fez parte de 1979 a 2009. A partir daí, se tornou professor lucasiano emérito da Universidade de Cambridge.

 

Hawking e Jane, sua primeira esposa, durante os anos 1960.

Foi durante o mestrado que Hawking conheceu Jane Wilde, sua futura esposa. Os dois se casaram em 1965 e tiveram três filhos: Robert, Lucy e Timothy. Na década de 70, o físico foi convidado para trabalhar no Instituto de Tecnologia da Califórnia e toda a família se mudou para os Estados Unidos. Desde então, o casamento entrou em crise, o que levou a uma separação em 1990 e ao divórcio em 1995. 

Hawking passou a morar com Elaine Mason, uma de suas enfermeiras, e logo se casou com ela. Dois anos depois, Jane trocou alianças com o músico Jonathan Jones, mas continuou próxima do ex-marido e do trabalho dele. 

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Mas o segundo casamento do físico foi bastante conturbado. Por aparecer constantemente com hematomas no corpo, ele começou a ser visto como vítima de maus tratos, mesmo negando as acusações contra a esposa. A união chegou ao fim em 2006 e Hawking se mudou para uma casa em Cambridge, onde morou com uma governanta até o dia de sua morte.

A história de vida real do físico foi adaptada para os cinemas no filme “A Teoria de Tudo”, de 2014. O longa traz Eddie Redmayne no papel principal, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, e Felicity Jones como Jane Wilde.

Stephen Hawking no meio de Felicity Jones e Eddie Redmayne, os atores de “A Teoria de Tudo”, na premiere do filme. Londres, 2014.

A luta contra uma doença degenerativa

Enquanto ainda era um aluno de física na Universidade de Cambridge, Hawking percebeu que seu equilíbrio e coordenação motora começaram a ficar um pouco atrapalhados. Ele caía e derrubava objetos com muita frequência. Até que, após sofrer uma queda quando andava de patins, não conseguiu levantar. No hospital, fez uma série de exames e foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA) aos 21 anos.

A doença é incurável, degenerativa e se caracteriza pela morte das células nervosas responsáveis pelo controle dos movimentos do corpo. Ela faz com que seus portadores percam a capacidade de falar, engolir, se mover e respirar em pouco tempo. Por isso, o médico de Hawking deu a ele apenas mais três anos de vida, no máximo.

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Surpreendentemente e como por um milagre, a ELA avançou de forma mais lenta do que se imaginava, permitindo que o físico continuasse a viver, só que com algumas limitações de movimento. Foi depois de anos que a condição de Hawking começou a piorar. Em 1970, ele parou de andar e passou a se locomover em uma cadeira de rodas e um carrinho elétrico.

O casal Jane e Stephen em 1988. Nessa época, ele já precisava se locomover em uma cadeira de rodas.

Na década de 1980, sua respiração passou a ser mais afetada pela doença. Ele costumava sentir muita falta de ar e, quando pegou pneumonia durante uma viagem à Suíça em 1985, quase perdeu a vida. Os médicos achavam melhor desligar o respirador artificial que mantinha ele vivo. Mas Jane não concordou e voltou com o marido para Cambridge, onde ele passou por uma traqueostomia. Desde então, ele nunca mais conseguiu falar, passando a se comunicar por um computador.

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Hawking morreu em casa, aos 76 anos, no dia 14 de março de 2018, por complicações da esclerose lateral amiotrófica.

Os livros que mudaram tudo

Durante sua carreira, Stephen Hawking escreveu 14 livros no total, sendo o mais famoso e importante deles “Uma Breve História do Tempo”. Publicado em 1988, a obra utiliza uma linguagem simples e acessível para explicar a origem do universo. Com 10 milhões de cópias vendidas e traduções em mais de 30 idiomas, foi graças a ela que o físico se tornou mundialmente conhecido.

Voltado para leigos, “Uma Breve História do Tempo” se baseia nas teorias da Relatividade Geral e da Mecânica quântica para apresentar alguns conceitos a respeito do espaço e do tempo. Dessa forma, alguns mistérios da física podem ser descobertos e explicados.

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Outro livro importante para a carreira de Hawking é “O universo numa casca de noz”. Mais recente, lançado em 2001, ele conta com um número maior de ilustrações e com uma linguagem de ainda mais fácil compreensão. A obra aborda novas teorias cosmológicas, como a possível existência de partículas fundamentais, viagens no tempo e buracos negros, além do que é o microcosmo quântico e o macrocosmo universal.

O legado de Hawking para a ciência

O conteúdo dos escritos por Stephen Hawking vinham das pesquisas e teses científicas que ele desenvolvia. Ele costumava se basear na mecânica quântica, nos princípios da termodinâmica e da gravidade e em tudo fosse capaz de fornecer pistas sobre o comportamento do universo. Abaixo estão listadas as principais teorias do físico.

Hawking testando a sensação de zero gravidade durante voo sobre o Oceano Atlântico.

 

– Singularidades: No ano de 1970, ele conseguiu provar, com a ajuda do também físico inglês Roger Penrose, que os pontos onde o espaço-tempo se curvam de modo infinito, as chamadas singularidades, podem ser gerados dentro de buracos negros. Pensando nisso, Hawking afirmou que uma dessas singularidades pode ter sido o meio pelo qual o universo surgiu.

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– Buracos negros: Investigar a natureza dos buracos negros era praticamente a especialidade de Hawking. Primeiro, ele provou que eles existiam no início da década de 70 ao combinar a teoria da relatividade geral de Einstein com a da mecânica quântica e geral um resultado mais concreto do que matemático. Essa observação só foi comprovada em 2019, quando um telescópio captou a imagem de um buraco negro escondido na galáxia Messier 87. 

A segunda conclusão de Hawkings a respeito desses fenômenos foi a de que eles não são totalmente escuros. Formados a partir do colapso de estrelas, os buracos negros são muito comprimidos e densos. Isso faz com que a ação gravitacional em torno deles impeça que até mesmo a luz escape deles.

Primeira imagem de um buraco negro, tirada pelo telescópio Event Horizon, 2019.

Em 1974, Hawking percebeu que alguns efeitos quânticos possibilitam que os buracos negros emitam energia, radiação térmica. A consequência disso é o provável futuro desaparecimento desses objetos, de tanto que evaporaram ao longo do tempo. Essa constatação ficou conhecida como Radiação Hawking.

Essa teoria também só pode ser comprovada recentemente. Como não é possível rastrear a energia de um buraco negro de verdade, o Instituto de Tecnologia Technion-Israel criou um em laboratório e, durante as investigações, detectou a presença de uma quantidade de Radiação Hawking.

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O Big Bang e as flutuações quânticas: Em 1982, Hawking desenvolveu uma teoria sobre a origem do universo. De acordo com ela, tudo haveria surgido do nada com a explosão do Big Bang, se expandindo em uma velocidade muito rápida. Durante esse período de crescimento, as flutuações quânticas seriam as responsáveis por dar forma ao espaço, ao tempo e aos fenômenos da natureza, ou seja, a praticamente tudo o que somos e conhecemos.

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Foto 1: SWNS: South West News Service

Foto 2: Collect

Foto 3: Justin Tallis / AFP Photo

Foto 4: Times Newspapers Ltd

Foto 5: Divulgação/Saraiva

Foto 6: Zero G / AFP Photo

Foto 7: Image by EHT Collaboration


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