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Após tragédia no Capitólio mineiro, Cânion do Xingó passará por inspeção

14 • 01 • 2022 às 14:32 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Depois da tragédia ocorrida na região de Capitólio, em Minas Gerais, no último dia 8 de janeiro, quando um paredão de pedra desabou do cânion sobre alguns barcos que navegavam pelas águas do Lago de Furnas, outros pontos turísticos similares entraram em estado de alerta pelo país – e em processo de inspeção.

Foi a decisão tomada pelo governo de Sergipe, que acionou o governo de Alagoas para realizar uma análise detalhada do Cânion do Xingó, localizado na fronteira entre os dois estados: um dos pontos mais frequentados por turistas na região, o local recebe centenas de visitantes diários em barcos navegando por suas águas entre paredes de pedra.

Cânion do Xingó

O Cânion do Xingó, no rio de mesmo nome, um dos braços do São Francisco

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Cânion do Xingó 

Apesar da aparência semelhante no cenário, a secretaria de turismo do estado do Sergipe deixou claro que a inspeção no Xingó é preventiva, e que as condições são muito diferentes do cânion mineiro onde o desabamento recente ocorreu. “Nós não temos cachoeiras passando por cima do cânion, não temos correntes de água e os índices de chuva de Sergipe e Alagoas são muito mais baixos do que os de Minas Gerais. Portanto, é uma questão de prevenção”, afirmou o secretário Sales Neto, sobre o cânion sergipano.

Cânion do Capitólio

O momento que a pedra desabou sobre os barcos no cânion mineiro

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Formado pela hidrelétrica localizada entre os municípios de Piranhas, em Alagoas, e Canindé de São Francisco, em Sergipe, o Cânion do Xingó fica a cerca de 213 km de Aracaju.

Ele possui cerca de 65 km de águas capazes de alcançar 170 metros de profundidade entre paredes de pedra que chegam a 50 metros de altura. Localizada no Rio Xingó, um dos braços do Rio São Francisco, a formação é o quinto maior cânion navegável do mundo, e só se tornou navegável e, assim, conhecida, nos anos 90, após a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó.

Cânion do Xingó

No Cânion do Xingó, os barcos também passeiam colados às paredes de pedra

Cânion do Xingó

Em alguns pontos dos 65 km de água os paredões chegam a 50 metros de altura no Xingó

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O desabamento ocorrido em Capitólio, a cerca de 300 km de Belo Horizonte, no último dia 08, custou a vida de 10 pessoas e, segundo especialistas, é fruto não somente do efeito das chuvas sobre as formações rochosas, mas também da exploração turística excessiva e irresponsável.

Relatos revelam que a região do Lago de Furnas, conhecida como “Mar de Minas”, recebia tantos visitantes que enfrentava congestionamento de barcos. Além do excesso de visitantes, que coloca mais pessoas em risco e ajuda a degradar as formações, acredita-se que a música alta nas embarcações tenha ajudado a impedir que os guias escutassem os gritos e avisos, vindos de outros barcos no momento da tragédia, de que as pedras estavam em vias de desabar.

Cânion do Xingó

O local se tornou navegável após a construção da Hidrelétrica do Xingó

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© fotos 1, 3, 4, 5: Wikimedia Commons

© foto 2: YouTube/Reprodução


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