Ciência

Asteroide maior do que qualquer prédio na Terra passará tão perto que talvez seja visto no céu

Vitor Paiva - 18/01/2022 às 09:04 | Atualizada em 24/01/2022 às 09:15

Um imenso asteroide irá realizar hoje, dia 18 de janeiro, sua passagem mais próxima da Terra em 89 anos. Com cerca de 1,1 km de diâmetro e uma altura próxima a 1,1 mil metros, o corpo rochoso batizado de 7482 (1994 PC1) é maior que qualquer um dos nossos maiores edifícios, e irá passar “de raspão” pelo nosso planeta, a 1,9 milhão de quilômetro de distância, equivalente a cinco vezes o caminho até a lua. Em proporções espaciais, porém, a aproximação é tamanha que o asteroide poderá ser visto do solo com ajuda de um telescópio como um pequeno ponto de luz nos céus.

Representação de um asteroide próximo da Terra

Representação de um asteroide próximo da Terra: o 1994 PC1 passará a 1,9 milhão de quilômetros

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Descoberto em 1994 e identificado como “potencialmente perigoso”, o 1994 PC1 é um dos mais de 27 mil corpos celestes conhecidos que se aproximam do nosso planeta regularmente. Dentre os destroços espaciais que passam a uma distância de cerca de 120,8 milhões de quilômetros da Terra ou menos, o 1994 PC1 é parte do seleto grupo de 885 objetos próximos gigantes, com 1 km ou mais de diâmetro. De acordo com nota da NASA, no entanto, a aproximação – a maior realizada pelo asteroide desde 17 de janeiro de 1933, quando passou a 1,1 quilômetro da Terra – não é motivo de preocupação.

Registro da passagem do asteróide em 1997

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O 1994 PC1 é um asteroide do grupo Apollo, que cruza a órbita terrestre, e realiza uma volta completa ao redor do Sol a cada 572 dias, viajando a uma velocidade de mais de 70 mil km/h. O ponto mais perto do nosso planeta será alcançado por volta das 18h15 no horário de Brasília – segundo especialistas, esse será o maior asteroide a se aproximar da Terra em todo o ano. Se a distância não fosse segura e o 1994 PC1 atingisse o nosso planeta, o estrago não seria pequeno: segundo astrônomos, um objeto desse tamanho destruiria tudo em um raio de 40 km a partir do ponto de impacto.

A trajetória do asteróide:

A trajetória do asteróide: o ponto amarelo é o sol, o azul é a Terra, e o rosa é o 1994 PC1

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A atual aproximação vem sendo acompanhada desde agosto de 2021, mas sua observação por telescópios normais poderá ser dificultada pela luz da lua. Ainda assim, será, segundo a NASA, um asteroides especialmente visível, e quem não tiver um bom telescópio não precisa se preocupar, já que a passagem será transmitida por diversos canais como o Virtual Telescope Project. Trata-se de uma oportunidade realmente rara, já que a estimativa é que o 1994 PC1 se aproxime dessa forma da Terra somente em 2150, quando passará a cerca de 1,4 milhão de quilômetros.

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© foto 1: Getty Images

© foto 2: Observatório Astronômico Sormano/Itália

© foto 3: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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